Problemas e Perspectivas na Avaliação de Diversidade Biológica a Larga Escala

Pedro Cardoso
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O facto de todos estes projectos usarem metodologias muito bem definidas torna os dados comparáveis e qualquer trabalho que neles se baseie muito mais robusto, permitindo resultados e conclusões bem fundamentados.

No entanto, apesar de todas as vantagens, também apresentam algumas limitações que podem ser mais ou menos sérias, dependendo dos objectivos pretendidos. Primeiro que tudo, estudos prévios de esforço de colheita não são normalmente realizados. Desta forma toda a amostragem é baseada na opinião de especialistas de que esforço será adequado para os objectivos propostos. Apesar de esta opinião ser extremamente útil, pode no entanto estar enviesada da realidade, normalmente o esforço definido fica abaixo do necessário. Também estará dependente dos recursos disponíveis, e esta é uma questão incontornável. De qualquer das formas, sem estudos prévios a eficiência pode não ser a ideal e os recursos desperdiçados. Então, o que pode ser feito antes de se optar por um determinado protocolo que será replicado a larga escala? Desenvolver, testar e aplicar protocolos de avaliação de biodiversidade que garantam máxima adequabilidade, eficiência, flexibilidade e transparência.


NÍVEL 3

Chegamos assim ao terceiro nível dos projectos de avaliação de biodiversidade. Podendo estes conceitos ser discutidos caso a caso, qualquer protocolo tem de cumprir quatro requisitos fundamentais:
• Amostrar uma parte substancial, conhecida e adequada, tendo em conta os objectivos, da comunidade (adequabilidade);
• Requerer o mínimo esforço de colheita possível (eficiência);
• Ser facilmente adaptável aos recursos existentes (flexibilidade);
• Todas as opções têm de ser facilmente compreensíveis por todos os participantes (transparência).

Por forma a cumprir estes requisitos teremos de optimizar onde, quando, como e quanto amostrar. Isto pode ser feito em quatro passos:
• Definir as melhores áreas de amostragem, aquelas que nos permitam responder às nossas questões (onde);
• Amostrar durante as épocas mais produtivas (quando);
• Usar métodos adequados e testados para os organismos em questão (como);
• Definir o esforço a realizar por forma a atingir determinados níveis de “integralidade de inventário” (quanto), sendo integralidade a proporção de espécies capturadas em relação às estimadas para um determinado local.
Um exemplo de um projecto que já cumpre a maioria destes requisitos é o ALL – Ants of the Leaf Litter (antbase.org/databases/publications_20330.htm), que definiu uma estratégia muito bem fundamentada para monitorização de formigas epígeas tropicais. Outro exemplo será o futuro COBRA – Conservation Oriented Biodiversity Rapid Assessment, neste momento a ser definido para aranhas ibéricas e mediterrânicas. Os princípios definidos por estes dois projectos poderão servir de base para outros grupos, principalmente de invertebrados, que afinal de contas constituem a vasta maioria da biodiversidade existente, seja a nível local, regional ou global.

E depois?

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