Clareiras nas florestas e árvores nas zonas abertas

Nuno Leitão
Imprimir
Texto A A A

As clareiras nas florestas são essenciais para a sua perpetuação e biodiversidade. Um efeito igualmente importante, resulta da presença de árvores isoladas ou pequenos grupos de árvores nas zonas abertas, numa visão simétrica das clareiras florestais.

 

 

Clareiras das florestas

As clareiras são pequenas áreas abertas no meio do coberto florestal e são consequência de factores de perturbação local, como por exemplo o corte de árvores ou a ocorrência de pequenos fogos.

Muitas espécies de animais e plantas, que vivem nas florestas, dependem da existência destas clareiras para completarem o seu ciclo de vida. A regeneração que ocorre após a formação de uma nova clareira, desempenha um papel fundamental na estrutura e renovação da floresta e manutenção da sua diversidade biológica.

 Estas pequenas áreas abertas possibilitam a existência de espécies que não vivem nas zonas mais interiores da floresta. Uma árvore que morre naturalmente ou que seja cortada, cria ou contribui para a formação da clareira, gerando-se condições para a regeneração florestal se devenvolver, assim como diversas espécies arbustivas e herbáceas. Funciona igualmente como área de alimentação previligiada de várias espécies de animais. 

Quanto a clareiras que se devem a factores edáficos (particularidades do solo), só até certo ponto podem ser incluídas nas clareiras de que falamos, uma vez que frequentemente não apresentam condições físico-químicas para a ocorrência de regeneração florestal, ainda que sejam normalmente um factor de incremento de diversidade faunística e florística.


"Clareiras" das zonas abertas

Seguindo uma abordagem algo simétrica à referida anteriormente, as árvores ou pequenos bosquetes isolados situados em zonas abertas onde a vegetação herbácea seja dominante (caso das savanas), representam pequenas "clareiras", tal como se invertessemos a estrutura de uma floresta com árvores cortadas. Como nas florestas, a descontinuidade criada aqui pela presença das árvores, leva à existência de condições locais diferentes em termos de estrutura da vegetação, características do solo e microclima, que são um factor de incremento da diversidade biológica.

Como exemplo, temos os montados de azinho aberto, onde sob o coberto de uma Azinheira rodeada de cultura cerealícola ou de pastagem, se desenvolvem condições físicas diferentes das zonas que não são abrangidas pela presença da árvore (figura).

 Na altura das chuvas, o solo sob a Azinheira é mais seco, mas na estação seca é mais húmido ao reduzir a evapotranspiração, além de ser uma zona mais fresca. Aí o solo é mais fértil, devido à deposição de nutrientes e melhoria da sua estrutura física.

Muitas espécies dependem ou são atraídas pela condições proporcionadas por estas árvores. Os animais, e plantas que utilizam estas "clareiras" contribuem, por sua vez, com a deposição de mais nutrientes no solo abrangido pela influência destas árvores isoladas, contribuindo para este processo singular.

Comentários

Newsletter