De entre os vários índices descritos na bibliografia destaca-se o Índice de Nesterov Modificado (ou Índice Português: IP), utilizado pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica entre 1988 e 1998 (LOURENÇO, 1996) e o índice canadiano (Canadian Fire Weather Índex, também conhecido por FWI), adaptado para Portugal e utilizado pelo Instituto a partir de 1998, pois são os que aparentemente possuem maior capacidade preditiva do risco de incêndio para fogos de Verão (VIEGAS, et al. 1999).

Ambos os índices requerem observações diárias das variáveis meteorológicas bem como valores comulativos do índice nos dias anteriores. Para o IP os registos diários são referentes à temperatura do ar e da temperatura do ponto de orvalho às 12h desse dia, enquanto que o FWI, de estrutura mais complexa, recorre aos valores da velocidade do vento, temperatura, humidade relativa do ar e precipitação.
Os índices meteorológicos são particularmente úteis na identificação do padrão de distribuição temporal dos fogos florestais, ou seja, a concentração do número de ocorrências durante o período seco e quente, que corresponde aos meses de Verão. Contudo, mostra-se insuficiente para explicar a sua distribuição espacial, pois quando se analisam os valores dos índices para uma determinada data, os valores mais baixos e elevados não correspondem necessariamente ao maior ou menor número real de fogos ocorridos naquela data no continente (MATA REIS, 1998). De facto, verifica-se que nas zonas mais quentes e secas do Interior e Sul do País, são onde se registam menores áreas ardidas. Esta distribuição espacial está relacionada com a relevância de outros factores de risco regionais favorecem a ignição e propagação dos incêndios tais como, os elevados declives das regiões montanhosas, e a elevada carga de combustível e a homogeneidade da paisagem, resultantes do abandono das áreas agrícolas devido às profundas transformações socio-culturais verificadas na da região Norte Litoral do País.

A integração dos vários factores de risco pode ser conseguida através da produção de Cartografia de Risco de Incêndio com recurso a Sistemas de Informação Geográfica. A título de exemplo, refere-se a metodologia aplicada pelo CNIG para a elaboração das Cartas de Risco de Incêndio ao nível municipal. Esta baseia-se na discretização do território municipal em quadrículas, às quais se associa a informação relevante ao cálculo do índice de risco de incêndio. Este índice é estimado através de um modelo aditivo ponderado, baseado na sobreposição de diversas cartas temáticas, correspondentes às variáveis do modelo, nomeadamente, o declive e a exposição do terreno, o uso e a ocupação do solo, a visibilidade dos posto de vigia, a rede viária, a rede hidrológica e a densidade populacional. Os valores do índice de risco de incêndio fora agrupados em 5 classes de Baixo a Alto Risco (CNIG. 2002).
A previsão das consequências esperadas devido à ocorrência do fogo poderá basear-se na quantificação das perdas em madeira em florestas destinadas à produção com recurso, por exemplo, a ferramentas de análise financeira afim de estimar os prejuízos de acordo com as espécies florestais em causa e a idade dos povoamentos. Nas florestas de protecção (por exemplo localizadas em zonas de elevado declive) ou em Áreas Protegidas, a quantificação dos danos associados ao incêndio terá que utilizar metodologias mais complexas, pois trata-se de bens e serviços não transaccionados no mercado.
Bibliografia
CNIG (2002).
GONÇALVES, M. J. Z. sd. Índice Meteorológico de Risco de Incêndio, utilizado em Portugal e elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica.
LOURENÇO, L. (1996). Risco de Incêndio. In: Encontro Pedagógico sobre Fogos Florestais. Pág(s). 52-61.
MATA REIS, R. M. (1998). Determinação do Risco de Incêndio à escala Nacional. Integração de informação proveniente de um índice meteorológico e do risco regional. Instituto de Meteorologia. Departamento de Vigilância Meteorológica. Centro de Análise e Previsão do Tempo.
SOCIETY FOR RISK ANALYSIS. http://www.sra.org
VIEGAS, D. X., BOVIO, G., FERREIRA, A., NOSENZO, A., SOL, B. (1999). Comparative Study of Various Methods of Fire Danger Evaluation in Southern Europe. In: International Journal of Wildland Fire 9(4): 235-246.
Alexandra F. Marques, GEGREN (ISA): alexmarques@isa.utl.pt