
A previsão da distribuição espacial do risco de incêndio numa área florestal, no curto ou médio prazo, permite operacionalizar o planeamento florestal e a gestão dos recursos disponíveis para a prevenção e combate aos incêndios.
Tendo em conta o elevado número de incêndios florestais no nosso País, e as severas consequências económicas e ecológicas que lhes estão associadas, torna-se essencial a aplicação de metodologias de avaliação de risco de incêndio, na gestão dos recursos disponíveis para a prevenção e combate.
De facto, no contexto da prevenção, a avaliação da distribuição espacial do risco de incêndio numa área florestal, e a sua evolução ao longo do tempo, fornece informações importantes para a localização e densidade de torres de vigia, o dimensionamento dos pontos de água, a arquitectura da rede viária da mata, e até mesmo a escolha das espécies mais adequadas no planeamento de novas arborizações. No combate, o mapeamento do risco de incêndio permite definir a disposição táctica das forças no terreno, concentrando-as nas áreas de maior risco. Estas metodologias poderão ainda estar na base dos sistemas de atribuição de prémios e compensações resultantes de seguros florestais.

Estas distintas aplicações podem conduzir a diferentes abordagens do conceito de risco de incêndio, e consequentemente a diferentes metodologias de avaliação.
Em sentido lato, entende-se como risco de incêndio o risco de ignição do fogo, ou seja, a existência de causas humanas (acidentais ou voluntárias) ou naturais que provoquem o fenómeno de ignição (Macedo e Sardinha, 1987, cit. in LOURENÇO, 1996).
Numa abordagem integrada, assente na Teoria do Risco, a estimativa do risco de incêndio engloba, para além da probabilidade condicional de ocorrência do fogo no tempo, a quantificação das consequências esperadas, que se traduzem em prejuízos económicos e danos ambientais. De acordo com esta teoria, a análise do risco de incêndio inclui metodologias de identificação do risco (Risk assessment), de avaliação do risco (Risk evaluation), e de gestão do risco (Risk management alternatives) (SOCIETY FOR RISK ANALYSIS, 2002).

A probabilidade de ocorrência do fogo pode ser analisada como o resultado da conjugação dos factores de risco que conduzem a uma maior ou menor possibilidade de ocorrência do fogo. Assim, a previsão do risco de incêndio traduz-se na zonagem de uma determinada região, agrupando as manchas florestais em classes de acordo com os valores dos índices de risco de incêndio (genericamente, Classe I – Baixo a Classe V - Elevado), ou com a sensibilidade da mancha florestal ao fogo (Classe I - Extremamente sensível a Classe IV - Pouco sensível), como consta no Artigo 2º do Decreto Regulamentar n.º 55/81. Ressalta-se que estas duas abordagens deverão ser complementares, pois os valores mais elevados de risco de incêndio deverão ocorrer nas zonas de maior sensibilidade ao fogo. A zonagem de risco de incêndio do DR 55/81 está em processo de actualização, com base em 10 anos de cartografia de áreas ardidas, efectuada no DEF/ISA (Prof. J.M. Cardoso Pereira, com. pessoal).
Os factores de risco, que estão na base dos critérios de classificação das zonas são: (1) o tipo de ocupação do solo (na ocupação florestal interessa caracterizar a densidade e distribuição das espécies florestais e o grau de combustibilidade e inflamabilidade da vegetação arbustiva e sub-arbustiva); (2) as variáveis meteorológicas, como a temperatura, a humidade relativa do ar, a precipitação (o regime e a quantidade total) e a velocidade do vento; (3) a morfologia do terreno, nomeadamente a exposição e declive; (4) os factores sociais, como o Índice Demográfico de Utilização (MATA REIS, 1998). Estes últimos são particularmente relevantes, pois, segundo a Direcção Geral das Florestas, as actividades humanas são responsáveis pela esmagadora maioria das ocorrências de fogos.
A zonagem pode realizar-se a diferentes escalas espaciais (local, regional ou nacional) e temporais (curto prazo ou médio/longo prazo). As previsões a médio/longo prazo apresentam normalmente âmbito nacional e pretendem explicar a variabilidade espacial apresentada por factores de risco, como o clima e o tipo de ocupação do solo, identificando regiões onde a probabilidade de incêndio é mais elevada e onde se devem localizar preferencialmente as acções de prevenção. A zonagem a curto prazo (usualmente diária), destina-se a monitorizar as variáveis meteorológicas durante o período de fogos, de modo a permitir uma resposta rápida dos meios de combate nos locais onde se registam condições propícias à sua ocorrência.
Para a avaliação do risco de incêndio, recorre-se normalmente a Índices Meteorológicos de Risco de Incêndio, dado que as condições meteorológicas condicionam não só as causas de ignição como o teor de humidade dos tecidos vegetais, que condiciona a inflamabilidade dos combustíveis (GONÇALVES, sd). Estes índices são diários, mas o cálculo dos seus valores médios anuais permite estimar o risco de incêndio no médio prazo.