As orquídeas no mundo
Como seria de esperar face ao vasto número de espécies que abrange, as Orchidaceae são uma família que existe em todo o mundo (inclusivamente nas regiões polares!), mas com uma diversidade incrivelmente mais elevada nos trópicos. É também nos trópicos que vivem aquelas mais exuberantes, mas não se pense que na velha Europa e em Portugal não existem orquídeas igualmente bizarras, ainda que com flores de dimensões mais modestas.
As orquídeas são geralmente herbáceas, por vezes de caules lenhosos mas nunca apresentando crescimento secundário (crescimento em diâmetro como as árvores), e adaptaram-se principalmente a dois grandes estilos de vida muito diferentes. Nas zonas de clima temperado são plantas terrestres com raízes tuberosas ou rizomas, que todos os anos têm um período de crescimento no qual desenvolvem uma parte aérea nova, que alterna com um estádio de dormência, na qual ficam reduzidas aos tubérculos ou rizomas. Nas regiões tropicais, em ambiente florestal, contudo, a grande maioria das orquídeas são plantas epifíticas, ou seja, desenvolvem-se sobre os ramos das árvores; e possuem então a parte aérea perene.
A estratégia de vida das plantas epifíticas aparece em muitas famílias, mas as orquídeas fizeram um uso muito extenso dela e com efeito, na generalidade, a maior parte das plantas epifíticas que se vêem numa floresta tropical são orquídeas. Este tipo de espécies são as geralmente cultivadas para fins ornamentais, e incluem géneros como Vanda, Cattleya, Dendrobium, Phalaenopsis, Miltonia, Oncidium… Naturalmente também existem orquídeas tropicais terrestres, algumas das quais também cultivadas, como os sapatinhos – Paphiopedilum, Phragmipedium – e os Cymbidium.
Algumas orquídeas tropicais são lianóides, isto é, trepadeiras perenes, que podem atingir grandes dimensões. O caso mais conhecido é mesmo a orquídea que produz a baunilha – Vanilla planifolia – uma orquídea trepadora oriunda da América central, mas agora cultivada em todas as regiões tropicais. Apesar de ser trepadora, não deixa de ter um hábito epifítico, pois enraíza nas árvores que lhe servem de suporte, acabando eventualmente por deixar a ligação ao solo.

Fig. 1 - Phalaenopsis reichenbachiana
Todas estas orquídeas epifíticas têm um hábito muito característico moldado pela escassez de água que se faz sentir lá em cima, nos ramos das árvores – elas têm de capturar e armazenar a água da chuva pois, se não o fizerem, toda a água se perderá escorrendo para o solo.
Assim, possuem raízes muito grossas com uma textura de esponja, especializadas na absorção rápida de água; folhas muito duras, coriáceas para evitar os efeitos da dessecação, uma camada de cera impermeabilizante para minimizar a perda de água e estruturas especializadas no armazenamento de água, semelhantes a bolbos – chamadas pseudobolbos – onde se inserem as folhas; isto para além de adaptações fisiológicas do metabolismo. Estas características tornam as orquídeas epifíticas plantas muito robustas que raramente se queixam de alguma coisa, excepto o excesso de água, o qual têm muita dificuldade em suportar.
Algumas orquídeas epifíticas desenvolveram uma característica muito curiosa: transferir a função fotossintética das folhas para as raízes e abdicar completamente da produção de folhas! Tal é possível pois estando as raízes sobre os ramos, estão sempre expostas à luz. Diversas espécies são então apenas um emaranhado confuso de raízes, aparentemente sem caules, que na devida altura do ano emitem as tipicamente belas flores. O caso mais emblemático é a rara e ameaçada orquídea-fantasma (Polyrrhiza lindenii) que habita nos Everglades, na Florida. Outras espécies não foram tão drásticas e limitaram-se a perder as folhas, sendo o caule o órgão fotossintético, como é o caso de algumas espécies de Vanilla.