História do Montado – do fim da Idade Média ao início da Época Moderna

Ana Margarida Pinto da Fonseca
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Na segunda metade do século XVIII, devido ao crescimento populacional, a exploração do Montado volta-se essencialmente para a pecuária (carne e lã), conduzindo a uma exploração menos intensiva do sistema. Contudo, esta população vai-se concentrar essencialmente no litoral e na zona de Lisboa, aumentando as necessidades de carvão e conduzindo a uma procura acrescida deste material.


3 – Qual a utilização da floresta mediterrânica antes da intensificação da produção agrícola e florestal?

A utilização da floresta mediterrânica desempenhava um papel essencial para as populações menos favorecidas. Estas contavam com os produtos que obtinham do bosque mediterrânico para suprir uma grande parte das suas necessidades. Obtinham um complemento para a sua limitada e pouco variada alimentação através de produtos como pequenos frutos, cogumelos, tubérculos, mel, pequenas aves e animais caçados e peixe pescado nas ribeiras. Conseguiam cera e lenha que lhes permitia ter luz e aquecimento durante as noites de Inverno, materiais como madeira para a construção de mobiliário, utensílios domésticos e ferramentas de trabalho, bem como colmo para a cobertura das suas casas. Ainda se aproveitavam destes baldios para a alimentação dos seus animais.


4 – A que necessidades a sua exploração deu resposta, de que forma e com que adequação?

O Montado permitiu responder às necessidades alimentares da comunidade humana através da criação agro-pecuária. Embora as necessidades em carne tenham sido relativamente satisfeitas, as necessidades em trigo só foram plenamente cobertas no período dos descobrimentos, quando o nosso País pôde importar este cereal do império, a baixo custo. Com esta excepção, e relativamente a este cereal, o nosso País foi sempre dependente das importações dos países vizinhos.

Outra necessidade a que o Montado respondeu de forma plena, embora com consequências frequentemente nefastas para o próprio sistema, foram as necessidades em energia, sob a forma de lenha e carvão, este último maioritariamente para Lisboa.

A produção de lã também foi sempre uma actividade muito importante associada a este sistema e que só terá sofrido uma quebra no século XVII, devido à estagnação económica. No século XVIII, com as exportações de lã para Inglaterra e o relançamento da indústria de lanifícios a nível nacional para responder às necessidades de uma população crescente, esta produção recuperou a importância que tinha anteriormente.


5 – Como alterou o Montado as práticas de vida da comunidade humana?

O sistema de Montado influenciou definitivamente a comunidade humana que o criou, originando toda uma estrutura em torno do sistema, um conjunto de profissões, normas e práticas dele indissociáveis. Estruturas como as Aduas e as Coutadas levavam ao surgimento de um conjunto de profissões associadas à fiscalização das actividades nelas realizadas, mas também de regulamentos como o “Regimento dos Verdes e Montados da Campo de Ourique” ou as posturas municipais. A utilização do montado condicionava o ciclo anual das actividades agrícolas com a extracção de cortiça a efectuar-se de Maio a Agosto e o aproveitamento da bolota de Setembro a Dezembro. Implicava também grandes deslocações dos rebanhos transumantes e respectivos pastores, tanto do centro do país como provenientes de Espanha, contribuindo para um contacto das populações alentejanas com a economia e a cultura existentes noutras regiões e facilitando o acesso a mercados exteriores.

A utilização da cortiça, para os mais diversos fins, é uma pratica corrente das populações que vivem no Montado. Estas utilizações vão desde os “cortiços” para as abelhas, abrigos para os animais chamados “cortiçadas”, rolhas, cintos de salvação, calçado, bóias, cabanas de lavradores, muros, loiça, mobiliário e objectos de artesanato.

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