História do Montado – do fim da Idade Média ao início da Época Moderna

Ana Margarida Pinto da Fonseca
Imprimir
Texto A A A

Para responder às questões colocadas inicialmente, recorreu-se à consulta de fontes manuscritas, de entre as quais se destacam as “Memórias Paroquiais”, de 1758, o “Tombo das Capelas de Évora”, de 1537, posturas municipais que foram sendo emitidas do século XV ao século XVIII, entre outros documentos.

De entre as fontes impressas são de destacar os relatos de viajantes estrangeiros pelo nosso País, como é o caso das anotações produzidas pelo naturalista alemão Heinrich Link que, em finais do século XVIII, efectuou várias incursões de carácter botânico no Sul de Portugal. Uma série de documentos de carácter normativo foram reunidos por Baeta Neves, desde o século XIII, na sua “História Florestal, Aquícola e Cinegética” e que se revelaram também bastante úteis. Os Forais, com as devidas cautelas de interpretação, fornecem também algumas informações relativas à paisagem. 


 O estudo da história do Montado, tal como o de qualquer outra paisagem deve, dada a abrangência do objecto e a multiplicidade de componentes envolvidos, assentar sobre diversos tipos de fontes. Foram consultadas, por isso, ainda, fontes arqueológicas, dados polínicos e representações iconográficas.


Tentemos pois responder às questões inicialmente colocadas. 
 
1 – Quando surgiu o montado?

As primeiras formas de Montado terão surgido quando o Homem começou a intervir no bosque mediterrânico, fazendo uso do fogo e, deste modo, desadensando o coberto arbóreo, limpando os matos e aproveitando a bolota e as pastagens para a alimentação do gado.

A expansão da pecuária está directamente relacionada com o crescimento populacional e as crescentes necessidades de lã, carne, carvão, cereais e madeira, bem como o progresso tecnológico.

Só nos solos mais férteis terá havido uma destruição total da floresta em favor das culturas hortícolas.


2 – Sob que condições de deu a expansão deste sistema?

A expansão do montado está altamente correlacionada com os períodos de maior pressão demográfica.

Nos períodos de baixa conjuntura, nos séculos XIV e XVII, devido a um arrefecimento climatérico e menores produções cerealíferas, fomes e doenças, a população sofreu uma regressão. O Montado ficou sujeito ao abandono, a charneca avançou, tendo havido uma maior regeneração das árvores. Esta situação foi especialmente acentuada no século XIV, com a peste negra, que dizimou cerca de 1/3 da população do País.

O século XVI representa um período em que a busca de madeira para a construção naval é significativa, conduzindo à publicação de inúmeras normas protectoras das árvores e que visavam a reflorestação com sobreiros, outros carvalhos e outras espécies arbóreas.

Comentários

Newsletter