A rolha, os montados e a fauna

Nuno Onofre, Estação Florestal Nacional
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No seu conjunto, as áreas de montado possuem uma diversidade faunística muito elevada, nele residindo a maioria dos efectivos nacionais de diversas espécies de vertebrados. O Eng Nuno Onofre, investigador da EFN, introduz o tema.

Os ecossistemas florestais, por mais intensiva que seja a sua condução, são dinâmicos no espaço e no tempo. As grandes diferenças residem no compasso ou densidade do arvoredo, na sua composição em espécies no estrato arbóreo, na sua rotação ou revolução e, também ou em suma, na sua condução ou práticas culturais, que controlam o sub-bosque, uniformizam o arvoredo ou eliminam as árvores mortas e doentes.


No caso dos ecossistemas de sobreiro, e aqui há que referir que eles não se resumem apenas aos conduzidos em montado, o dinamismo da estrutura arbórea é lento, tão lento como o de um outro carvalho qualquer.


Os sobreiros, tal como as azinheiras, são no entanto uns carvalhos especiais, porque crescem em regiões de clima tipicamente mediterrânico, ameno no Inverno e quente e seco no Verão, e porque têm folha persistente. E são especiais ainda porque, para além da madeira, dão um produto que ainda tem ou teve uma importância económica suficientemente grande para que no seu lugar não estejam, desde há muito, culturas agrícolas ou plantações florestais de outro tipo. É sabido que no caso do sobreiro este produto é a cortiça e no caso da azinheira, a bolota.

Não é fácil reunir condições para plantar sobreiros e muito menos azinheiras. A estrutura da propriedade é uma ajuda, pois uma dimensão relativamente grande permite deixar de lado, sem grande transtorno, um bom pedaço de terra para os novos sobreiros poderem crescer durante uns...30-40 anos até poderem começar a ser explorados economicamente. Mas hoje em dia, um subsídio do Estado ou da Comunidade Europeia, à instalação e ao compasso de espera, também ajuda.

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