A Cortiça – tecido vegetal renovável

Nuno Leitão
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Para além das importantes propriedades que possibilitam a exploração industrial da cortiça, a regeneração deste tecido vegetal garante que a sua exploração decorra, de nove em nove anos, de forma sustentada.

O Homem habilidosamente transformou a antiga floresta impenetrável em sistemas agro-silvo-pastoris, como é o caso do montado de sobro. Abriu as florestas, limpou o mato apetecível para o fogo, podou os sobreiros para regularizar a produção de bolotas, arroteou os campos sob coberto, e a brenha hostil deu lugar a searas e pastos arborizados, com uma elevada diversidade biológica.

No montado de sobro, a pecuária e a agricultura estão associadas à prática dominante, que é a subericultura. Com desbastes sistemáticos suprimiu-se as árvores produtoras de má cortiça, de forma que ainda hoje nos orgulhamos de produzir a melhor cortiça do mundo.

Desde os tempos mais remotos que a técnica de descortiçamento atingiu um equilíbrio raro na exploração de recursos naturais. O equilíbrio entre a superfície de descortiçamento e a estatura dos sobreiros é perfeita e requintada e ciclicamente, de nove em nove anos, procede-se à extracção deste valioso tecido vegetal, que os sobreiros se encarregam de regenerar.


Mas, afinal, o que é que os sobreiros têm de diferente para que se possa explorar de nove em nove anos as espessas pranchas de cortiça, ou seja, a “casca” dos seus troncos?

A cortiça que se extrai dos sobreiros, é um tecido vegetal denominado em histologia botânica por felema ou por súber. O súber é formado pelo tecido de divisão celular (um meristema secundário) mais externo ao tronco dos sobreiros, e é denominado por felogene ou câmbio subero-felodérmico. Este meristema divide-se para o exterior para formar o súber, e para o interior para formar a feloderme. O conjunto felema-felogene-feloderme corresponde à periderme da árvore (o correspondente à nossa pele). 

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