Sexo infrutífero na luta biológica

Miguel Monteiro
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Numa biofábrica da Ilha da Madeira produzem-se diariamente cerca de 5 milhões de moscas do Mediterrâneo. O objectivo é combater a maior praga mundial de frutos frescos. Os resultados estão à vista.

 

 

 

 A mosca do Mediterrâneo Ceratitis capitata existe nos cinco continentes e é a maior praga mundial da fruticultura, pois ataca mais de 250 espécies de zonas tropicais, subtropicais e temperadas. Só na Ilha da Madeira causa prejuízos em cerca de 50 espécies frutícolas.

Para combater este flagelo, foi instalada na Ilha uma biofábrica que produz cerca de 50 milhões de insectos por semana. Duas vezes por semana efectuam-se largadas aéreas numa avioneta que “pulveriza” a ilha com milhões de machos de mosca do Mediterrâneo. A estratégia é astuciosa. Todos os insectos libertados são machos estéreis que vão competir com os animais selvagens pelo acasalamento com as fêmeas. Os ovos resultantes destas “uniões” não são viáveis e por isso não surgem as larvas que se iriam alimentar dos frutos e causar elevados prejuízos.

Com esta táctica, o programa Madeira Med “pretende colocar os níveis de infestação inferiores a dois por cento em dez espécies frutícolas (anona, araçá, damasco, figo, goiaba, laranja, manga, nêspera, pêra e pêssego)”, explica Rui Pereira, director da fábrica.

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