O projecto ECOQUARRY – Ecotecnologia para a Restauração Ambiental de Pedreiras Calcárias

Graça Oliveira – Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
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Apresentação do projecto internacional de restauração de pedreiras calcárias em condições mediterrânicas ECOQUARRY – Ecotechnology for Environmental Restoration of Limestone Quarries, no qual participou a Faculdade de Ciências de Lisboa e a Secil.

Após a extracção dos recursos minerais, as áreas afectadas devem ser recuperadas e re-integradas no meio ambiente tendo em conta factores paisagísticos e ecológicos. O resultado final dos projectos de recuperação depende da qualidade das intervenções durante todas as fases do processo, apoiadas em sólidas bases científicas e técnicas.

O projecto ECOQUARRY - Ecotechnology for environmental restoration of limestone quarries foi co-financiado pelo programa Europeu Life-Ambiente, projecto (LIFE04 ENV/ES/000195), coordenado pela Universitat de Barcelona e desenvolvido entre 2004 e 2007 por parceiros em Portugal, Catalunha e Comunidade Valenciana - 6 instituições universitárias e politécnicas (orientação científica), 10 empresas da indústria extractiva (instalação e manutenção de áreas-piloto), 2 associações empresariais e uma entidade governamental com responsabilidades na área do ambiente (apoio e divulgação). Portugal esteve representado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Centro de Ecologia e Biologia Vegetal1) e pela SECIL – Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.


Figura 1 – Localização aproximada das pedreiras onde foram instaladas as parcelas-piloto do projecto Ecoquarry. Assinalam-se com cores distintas as pedreiras com diferentes níveis de precipitação annual (vermelho: 350 mm/ano; lilás: 525 mm/ano; azul: 625-725 mm/ano).

Enquadramento

Este projecto consistiu essencialmente em implementar, à escala real, as técnicas mais recentes e inovadoras para restauro de pedreiras em condições mediterrânicas. Embora a recuperação ambiental de áreas degradadas por actividades extractivas não seja prática recente noutros países da Europa e da América do Norte, é escassa a experiência em países mediterrânicos, onde a especificidade dos constrangimentos ambientais e da vegetação justificam que as técnicas aplicadas naqueles casos não sejam exequíveis ou, pelo menos, não alcancem igual êxito.

Correntemente, as recuperações de áreas degradadas incluem poucas ou nenhumas espécies arbustivas e arbóreas, investindo sobretudo em vegetação herbácea, introduzida por sementeira. As espécies lenhosas são usadas apenas quando se considera que a sua capacidade de sobrevivência e/ou de crescimento rápido nestas condições adversas o justificam, promovendo frequentemente "monoculturas" e introdução de espécies alóctones. Por outro lado, verifica-se que a sementeira de misturas comercialmente propostas favorece o desenvolvimento de herbáceas que, além de poderem manifestar carácter invasivo, prejudicam a evolução da comunidade vegetal. Isto contraria o facto de, no caso de muitas pedreiras em zonas mediterrânicas, serem as espécies arbustivas e arbóreas que, em termos paisagísticos e ecológicos, caracterizam as áreas naturais envolventes que servem de modelo.


Figura 2 – Aspecto das parcelas-piloto: a) na pedreira de Sierra Mediana (Alicante, Comunidade Valenciana); b) na pedreira Las Cuevas (Sitges, Catalunha); C indica as parcelas com melhoramento do substrato.

Assim, um dos objectivos do ECOQUARRY foi promover a introdução de vegetação lenhosa diversificada nos processos de recuperação de pedreiras. O tipo de substrato utilizado na restauração foi também tido em conta para a definição da necessidade e dosagem de correcção e de regas, sempre em articulação com o tipo e densidade da vegetação introduzida.

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