Recuperação Ecológica de Pedreiras – um caso de estudo na Serra da Arrábida

Graça Oliveira – Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
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A exploração de pedreiras origina frequentemente grandes extensões de áreas degradadas. Neste artigo é apresentado um projecto de avaliação da recuperação paisagística da pedreira do Outão, Serra da Arrábida.

A exploração de pedreiras tem originado grandes extensões de áreas degradadas por toda a Bacia do Mediterrâneo, especialmente desde o início do século XX. Em Portugal muitas destas explorações situam-se em áreas que, pelo seu valor natural, têm estatuto de áreas protegidas. A escassez de controlo e fiscalização tem permitido alterações ambientais de repercussões desconhecidas no que respeita à biodiversidade e aos ecossistemas, embora com impacto visual bem evidente. Apesar de a actual legislação obrigar os proprietários à regularização dos solos e do coberto vegetal após a exploração, são numerosas as confrangedoras “crateras” resultantes de pedreiras abandonadas desde há décadas nestas áreas protegidas.


Foto 1 - Aspecto das áreas intervencionadas na pedreira da SECIL-Outão - zonas em exploração (a), zonas em processo de revegetação (b) e zonas já revegetadas (c) e das áreas envolventes.

As actividades extractivas a céu aberto alteram drasticamente o relevo, levando à destruição do solo, da vegetação e, consequentemente, da fauna. Nas pedreiras, as superfícies rochosas, de grande declive e sem solo, dificilmente propiciam a fixação de espécies vegetais e, consequentemente, a regeneração espontânea da vegetação. Este impacto é tanto mais dramático quanto, em zonas de clima mediterrânico, se associa a fortes constrangimentos ambientais, tais como a escassez hídrica e altas temperaturas estivais. Os impactos decorrentes da acumulação de grandes massas de escombros e da dispersão das poeiras nas regiões envolventes são também aspectos potencialmente preocupantes.

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