Exóticas e Invasoras

Helena Freitas, Liga para a Protecção da Natureza
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A invasão de um habitat por espécies exóticas, pode ser um dos principais factores de ameaça do ecossistema aí existente. A Prof. Helena Freitas, ex-Presidente da LPN, faz uma reflexão sobre este grave problema de conservação da Natureza.

São múltiplas e crescentes as actividades humanas que estão na origem de profundas alterações nos sistemas biológicos. Traduzem-se, por exemplo, pela perda e fragmentação dos habitats naturais, alterações dos ciclos minerais, em particular o azoto, poluição do solo, do ar e da água, alterações climáticas e invasão por espécies exóticas. De entre todas estas alterações, a invasão de um habitat por uma espécie exótica, que conduz, frequentemente, à ocupação e domínio do novo território, é das situações mais difíceis de controlar e restaurar. 
 
O problema coloca-se quando as espécies exóticas se tornam invasoras, ameaçando a sobrevivência das espécies indígenas, e não forçosamente pela introdução controlada de espécies exóticas. As espécies invasoras são pois aquelas que têm a capacidade de competir e, frequentemente, substituir, outras espécies nos seus habitats naturais, adaptando-se aos novos ambientes, distribuindo-se rapidamente para além dos locais onde foram introduzidas e passando a interferir com o desenvolvimento natural das comunidades invadidas. Estas espécies, mesmo quando pouco representativas, colocam sempre problemas de conservação, porque podem alterar os recursos disponíveis e a estrutura e o funcionamento do ecossistema, por exemplo, através da alteração das propriedades químicas do solo, do ciclo de nutrientes, do fogo e do regime hídrico, aumentando a competição, que pode impedir ou reduzir a regeneração das espécies nativas ou conduzir à sua exclusão.

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