À conversa com o Professor Miguel Ramalho

Sara Otero
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A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO GEOLÓGICO:

Existe esta atitude interessante, lúdica, da geologia, da história da terra, mas não é só uma lucubração teórica, tudo tem aplicações práticas tremendas, porque não há nada na nossa vida onde não se tenha uma intervenção directa ou indirecta da geologia. Nós utilizamos as matérias geológicas em tudo e é ridículo querermos ignorar de onde elas vêm, como se formam e o que lhes vai acontecer.


Por outro lado, a compreensão do passado recente da Terra dá-nos uma compreensão dos fenómenos presentes e uma percepção de como podemos prever a evolução da situação no futuro. Ou seja, dá-nos a possibilidade de intervir no presente para podermos melhorar o futuro. O caso típico é o caso do clima.


Existe uma certa falta de respeito sobre o substrato geológico porque o associamos a qualquer coisa muito forte, robusta, quase indestrutível, o que nem sempre é verdade.

 

OS GRANDES PROBLEMAS QUE SE IMPÕEM A NÍVEL NACIONAL:


Do ponto de vista estritamente geológico, a área potencialmente mais afectada é o litoral. Cerca de 2/3 da nossa costa é rochosa, mais resistente à erosão, e a outra parte é costa arenosa. Temos portanto, problemas diferentes.


Na costa arenosa estamos sujeitos a uma erosão devido à subida lenta do nível do mar e à não retenção dos sedimentos (90% destes sedimentos são retidos nas barragens, não são transportados pelo rio e, consequentemente, não vão alimentar as praias). Com as barragens impedem-se as cheias, que são um mecanismo muito útil porque conseguem transportar grandes quantidades de sedimentos durante o Inverno, que são depositados na plataforma e posteriormente transportados pelas correntes, indo combater a erosão.


Tem-se verificado recuos de vários metros por ano, nalguns casos até 20 metros por ano, em certos sectores da nossa costa arenosa. Isto também porque o Homem intervém, ou seja, constrói um esporão para acumular areia a barlamar, mas depois a sotamar há erosão acrescida e, portanto, há recuos da costa muito grandes, repercutindo-se em áreas bastante vastas a Sul. No nosso caso, é a Sul porque as correntes vêm de Norte para Sul, e a Sul do esporão vai existir uma erosão acrescida, havendo necessidade de meter outro esporão, e outro, e etc..


Por outro lado, com a construção perfeitamente desregrada em Portugal, vão construindo-se casas cada vez mais sobre o mar. A partir de certa altura, as casas começam a estar em perigo pela subida da água. No dia em que houver um grande temporal, pode acontecer uma desgraça grande em certos sectores da costa. O mar vai rebentar com as dunas, que estão a ser estragadas, e que são um cordão extremamente frágil, e poderá ocorrer uma catástrofe.

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