Floresta Portuguesa: Território, Ambiente e Economia

Carlos Rio Carvalho
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Considerados numa perspectiva exclusivamente financeira os investimentos florestais não serão realizados, com excepção de um conjunto limitado de situações, ligadas à solidariedade com as gerações futuras ou ao gosto pessoal.

Desde a primeira dinastia que o poder público reconhece os benefícios ambientais da floresta (D.Dinis pretendia, com o seu famoso pinhal, proteger terrenos agrícolas da invasão das areias litorais). O século XX não foi excepção uma vez que, mais ou menos explicitamente, os benefícios ambientais fazem parte da justificação do apoio público ao investimento. Existindo diferenças importantes entre os Planos de Arborização do Estado Novo e os apoios dos três quadros comunitários de apoio que vigoraram desde 1986 verifica-se que, quer a arborização realizada directamente pelo Estado, quer a dimensão dos apoios a fundo perdido concedidos a privados, reflectem a baixa atractividade e a existência de razões externas ao investimento que justificam o seu apoio, configurando uma internalização dos benefícios da floresta.

O problema do presente é que a participação pública no investimento não parece ser suficiente para o estimular. Mais uma vez, a propriedade e a rendibilidade são obstáculos difíceis de remover ou contornar, e é esta a essência do problema económico e ambiental associado à floresta portuguesa.

Floresta: Cinquenta anos é depois de amanhã

Imaginemos o nosso território daqui a cinquenta anos (os florestais têm o mau hábito de falar em períodos de cinquenta anos como se fosse depois de amanhã...). Imaginemos que se mantêm baixos níveis de investimento e gestão florestal, que os apoios de que temos vindo a usufruir diminuem, mais ou menos, dentro de poucos anos. Isto tenderá a baixar a qualidade da floresta como elemento estruturante do território e a agravar os efeitos negativos da ausência de gestão: menos produtividade e emprego, mais incêndios, menos fixação de carbono, menos biodiversidade. Estes efeitos serão particularmente sensíveis nas regiões onde a base produtiva esteja mais dependente da floresta e onde os impactes ambientais negativos afectem a vida e a actividade dos cidadãos de uma forma mais directa.

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