Para quê Alqueva?

Miguel Araújo, Universidade de Montpellier e Universidade de Évora
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Se não houvesse alternativas... Mas elas existem. O Alentejo oferece condições climáticas favoráveis a culturas competitivas no mercado internacional. Quando e como se tem investido na promoção, valorização e comercialização dos vinhos Alentejanos? Os Franceses há muito perceberam que a estreita faixa de clima mediterrâneo que lhes coube seria melhor utilizada para produzir vinho do que para regar morangos. Para culturas de regadio há o Norte onde a água abunda. Quando e como é investido na melhoria da qualidade do nosso azeite e na conquista de novos mercados? O que é feito para apoiar a pecuária e a indústria transformadora de carnes, produzidas em regime extensivo, sabendo-se que numa Europa em alerta devido às vacas loucas, febres aftosas, galinhas com dioxinas, sofrimento animal... estas formas de produção têm mercados cada vez mais receptivos? Porque insistem os sucessivos Governos que o futuro da agricultura no Alentejo é o regadio, intensivo, suportado pelo maior lago artificial da Europa, quando as nossas vantagens comparativas residem nas culturas tipicamente mediterrâneas?


 Decididamente é mais fácil construir paredes e canais de rega do que conceber políticas agrícolas e desenvolvimento regional com pés e cabeça. Temos um País entregue às obras e aos empreiteiros. Façam-se as obras e logo se vê o que fazer delas. Esse é o lema dos sucessivos Governos que encontraram no betão a solução milagrosa para ganhar eleições.


Miguel Araújo

Doutorado em Biogeografia pela Universidade de Londres. Investigador do "Centre National de la Recherche Scientifique" em Montpellier e do Centro de Ecologia Aplicada da Universidade de Évora.  
 

 

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