Aquecimento global: Propostas de metas de redução de emissões ainda não são suficientes para limitar a subida da temperatura a 2 graus Celsius

Filipa Alves (21-10-2015)
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As metas nacionais de redução das emissões de gases com efeito de estufa propostas pelos vários países na preparação para a Cimeira do Clima de Paris no fim do ano ainda não são suficientes para limitar a subida da temperatura global a 2 graus Celsius até 2100, noticiou o Guardian.

Várias análises de especialistas em ciência do clima do impacto das propostas de 149 estados no contexto do combate às alterações climáticas indicam que se ficará aquém daquilo que é necessário para que a temperatura média global não ultrapasse o limiar de segurança que permitirá evitar danos graves nos ecossistemas com implicações para a Vida na Terra, incluindo o Homem.

De acordo com a análise do Grantham Research Institute divulgada na passada sexta-feira, os contributos dos quase 150 países responsáveis por 90% das emissões a nível global, representarão uma redução destas na ordem dos 12-13 gigatoneladas, o que corresponde a cerca de metade do que será provavelmente necessário.

Com efeito, o estudo conclui que as emissões evitadas não serão suficientes para compensar o aumento associado à industrialização dos países em desenvolvimento, estimando-se que, apesar dos esforços dos 149 países, as emissões globais passarão das atuais 50 mil milhões de toneladas para 55-60 mil milhões de toneladas até 2030. 

Por seu lado, o estudo da organização Climate Action Tracker também aponta uma subida da temperatura global superior ao limite de segurança de 2 graus, que no entanto, desceu de 3,1 graus Celsius segundo o cálculo efetuado no ano passado, para 2,7 graus CElsius, em grande medida devido aos contributos da China e Índia, que se somaram recentemente ao rol de países comprometidos com a redução das emissões. 

Torna-se assim essencial intensificar as negociações que culminarão na conferência de Paris, como início a 30 de novembro para que seja produzido um acordo forte, que permita atingir o objetivo global da limitar o aquecimento do planeta, obrigando os países a rever, com maior grau de ambição, as suas metas de redução das emissões.

Num artigo no Guardian, o Professor Michael Jacobs, do Grantham Research Institute identificou os quatro aspetos que devem ser incluídos novo acordo para que isto possa acontecer: a definição de ciclos de 5 anos para a adoção de metas de redução das emissões cada mais exigentes por parte de cada nação; a definição de um objetivo global que indique aos investidores a direção da evolução da economia após 2030; a atribuição, aos países em desenvolvimento, de um pacote financeiro que permita contribuir para a redução das emissões e adaptar-se às alterações climáticas; e, finalmente, o estabelecimento de regras rigorosas no que diz respeito à medição, comunicação e verificação das reduções das emissões para criar um clima de confiança.

Fonte: Guardian

*Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico

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