SPEA: Ave do Ano 2012 é a rola-brava

SPEA (01-03-12)
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A rola-brava é um dos melhores exemplos de uma espécie que já foi comum, mas que está a aproximar-se de uma situação crítica. A SPEA marca 2012 como o ano da rola-brava, chamando a atenção para uma ave que precisa urgentemente de ação de conservação, a começar pela suspensão da sua caça.

A rola-brava foi escolhida no passado mês de janeiro pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) para Ave do Ano 2012. Espécie muito sensível à perda e degradação do habitat de reprodução, viu as suas populações diminuírem em média 69% entre 1980 e 2009, em 25 países [1], não sendo Portugal exceção. A campanha pretende chamar a atenção para a grave situação que a espécie enfrenta e tentar minimizar algumas das suas principais ameaças.

A rola-brava (Streptopelia turtur) é o membro mais pequeno da família dos pombos e rolas e ocorre por toda a Europa, Norte de África e Médio Oriente. É uma espécie migradora de longa distância, que passa o inverno no Norte de África e no Sul do Sara, e pode percorrer distâncias superiores a 10.000km. Em Portugal ocorre em meios agrícolas variados, sebes, galerias ripícolas, montados e parques urbanos, sendo claramente mais abundante no Norte, sobretudo em Trás-os-Montes.

Em Portugal, a rola-brava está em decréscimo acentuado, pelo menos desde 2004, de acordo com o Censo de Aves Comuns (dados da SPEA). Entre 2004 e 2010 as populações nacionais registaram uma diminuição média de 31%.

Segundo o Esquema Pan-Europeu para a Monitorização de Aves Comuns, por cada 100 rolas existentes em toda a Europa em 1980, atualmente existem apenas 31. 

As principais causas da degradação do habitat da rola-brava são a intensificação agrícola e florestal, a destruição de sebes e linhas de água, a simplificação do mosaico agrícola e florestal, as monoculturas e o uso intensivo de fitofármacos.

Também a forte pressão cinegética a que é sujeita está a tornar-se insustentável.
Os números atuais, pouco precisos, indicam que pelo menos 10% da população é caçada anualmente na Europa. 

Atualmente existe um Plano de Gestão da União Europeia para a Rola-brava, ao abrigo da Diretiva Aves. Este plano prevê medidas essenciais e urgentes como a publicação anual de estatísticas da caça credíveis, o desenvolvimento de um modelo populacional preditivo para calcular o abate anual sustentável, o estudo do sucesso reprodutor e da mortalidade invernal e dos fatores que os afetam.

Apesar do Plano de Gestão estar em vigor desde 2006, Portugal pouco tem feito neste sentido. Com esta campanha, a SPEA pretende obter uma moratória na caça à rola-brava em Portugal, por um período de três anos, para que  possam ser estudadas as causas precisas do seu desaparecimento. É importante a implementação do Plano da Gestão para a espécie em Portugal, principalmente o reforço do conhecimento que permitirá tomar decisões fundamentadas no que diz respeito à gestão cinegética desta espécie.

Domingos Leitão, Coordenador do Programa Terrestre da SPEA, afirma que “Se perdermos esta espécie, perde o ecossistema, perdem as explorações cinegéticas e perde toda a sociedade.” Por isso, será importante envolver nesta campanha, as ONGs de ambiente, as confederações de  caçadores, os organismos da administração do Estado e as instituições científicas relevantes, para além de todos os cidadãos interessados.   

A SPEA disponibilizará informação atualizada sobre a rola-brava e a campanha em www.spea.pt.

[1] Dados fornecidos pelo Esquema Pan-Europeu para a Monitorização de Aves Comuns sobre a rolabrava http://www.ebcc.info/index.php?ID=457


*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico


Leituras adicionais:

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