A aquacultura é a resposta para a crescente procura de carne

Ana Ganhão (17-06-11)
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Segundo o relatório, “Blue Frontiers: Managing the environmental costs of aquaculture”, das organizações não governamentais Conservation International e WorldFish Center, o mundo precisa de produzir mais peixes e algas para atender à crescente procura mundial por produtos de origem animal.

Depois de dois anos de estudos, o relatório conclui que, ainda tenha um impacto ambiental, “a aquacultura é mais eficiente do que outras formas de produção de proteína animal, como a pecuária”, nomeadamente a criação de gado bovino e suíno. “Os produtos da aquacultura contribuem menos para as emissões globais de nitrogénio e fósforo do que a carne suína e bovina, o que reduz o impacto nas alterações climáticas por quilo de alimento produzido”, explica Sebastian Troëng, vice-presidente de conservação marinha da Conservation International.

No entanto, “há inúmeras preocupações bem fundamentadas sobre a aquacultura em relação aos seus impactos nos ecossistemas marinhos e na pesca extractiva”, salienta Troeng.

"Com o pescado disponível na natureza a atingir níveis alarmantes e sem precedentes de esgotamento, a produção cultivada precisa ser considerada como uma alternativa”, alertou, Sebastian Troeng. De facto, as Nações Unidas estimam que mais de 84% dos stocks piscícolas do planeta estão esgotados ou sobre-explorados.

Em 2008, a Ásia forneceu 91% do pescado criado em aquacultura nos lagos, rios e águas costeiras em todo o mundo, enquanto a Europa produz 4,4 %. De acordo com este relatório, a carpa é a espécie mais produzida na Ásia, o salmão na Europa e na América Latina. A enguia, salmão e camarão estão entre as espécies de aquacultura com maior impacto ambiental, devido “ao alto consumo de energia e à grande quantidade de peixe usado como ração”; do lado oposto está a criação de moluscos (mexilhões e ostras), mariscos, algas marinhas (aquelas mais abaixo na cadeia alimentar e que não necessitam de alimentação adicional).

Tendo em conta que a procura por produtos de aquacultura “continuará a crescer ao longo das próximas duas décadas”, os autores deste relatório pedem uma gestão mais sustentável dos viveiros e redução dos impactos ambientais. "Deve haver uma troca mais ampla de conhecimento e tecnologia, com directrizes políticas e acções para promover a sustentabilidade e o investimento na pesquisa para preencher as lacunas de conhecimento”, comentou, Stephen Hall, director-geral do WorldFish Center e principal autor do relatório. “Esses esforços podem levar a uma indústria mais sustentável ecologicamente, um objectivo importante, caso queiramos responder à futura procura mundial de pescado".

Fonte: http://www.guardian.co.uk

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