Portugal desenvolve produção de biocombustível para aviação a partir de microalgas

Ana Ganhão (07-06-11)
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O LNEG - Laboratório Nacional de Energia e Geologia está a desenvolver, em parceria com a APTTA - Associação Portuguesa de Transporte e Trabalho Aéreo, um projecto de investigação que visa a produção de um biocombustível a partir de microalgas para utilização na Aviação Comercial.

A Aviação Comercial é actualmente uma indústria com elevados consumos energéticos e com uma considerável contribuição na emissão de gases com efeitos de estufa. Para 2012, altura em que a indústria do transporte aéreo será incluída no CELE - Comércio Europeu de Licenças de Emissão, a Comissão Europeia definiu como objectivo uma redução efectiva de 3% nas emissões de CO2 da Aviação Comercial no espaço europeu. Tendo em consideração que esta indústria só conseguirá sobreviver através de ganhos de eficiência na utilização do actual combustível e/ou através da utilização de biocombustíveis sustentáveis, as Unidades de Bioenergia (UB) e de Emissões Zero (UEZ) do LNEG estão a desenvolver estudos que visam o aproveitamento total das microalgas para combustível.

O laboratório de bioenergia tem 15 tipos diferentes destas algas, que só precisam de água, uma fonte de luz, nutrientes e dióxido de carbono. Mas é preciso mexer em todas estas condições para conseguir optimizar a produção de qualquer substância. No caso de óleo para biocombustível, para se fazer um litro de combustível por dia é necessário uma cultura de 160 metros quadrados de microalgas, dizem os investigadores. Ao contrário de outros combustíveis de origem orgânica, como o óleo de palma ou a cana de açúcar, as microalgas não competem por terra arável. Além disso, os cientistas submeteram-nas a uma atmosfera com uma concentração de CO2 500 vezes superior à da atmosfera terrestre. Este gás é um dos principais responsáveis pelas alterações climáticas devido à sua libertação durante o consumo de combustíveis fósseis, que atingiu novo recorde em 2010. No laboratório, as microalgas sobreviveram à atmosfera concentrada e consumiram o gás durante a fotossíntese. A partir da experiência, os investigadores defendem que elas poderão ser utilizadas para despoluir o fumo das fábricas, rico em CO2 e outras situações.

Por estas razões, as microalgas, em comparação com outras fontes de biomassa apresentam-se como a alternativa mais sustentável para a produção de biocombustíveis. Não utilizam solos ou água destinados à produção de alimentação humana ou animal e garantem as maiores taxas de captação de CO2 e crescimento face a outras plantações terrestres. O presente projecto estará assim colocado na linha da frente nas áreas com maior potencial de desenvolvimento ao nível dos biocombustíveis: a utilização de microalgas como fonte de biomassa e a utilização do conceito BTL (Biomass-to-Liquid).

O LNEG prevê que no futuro poder-se-á utilizar em complemento às microalgas, qualquer outra fonte de biomassa para a produção de biocombustíveis, incluindo lixo de qualquer proveniência. 

Fonte: http://www.lneg.pt/

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