Potencial energético das águas residuais estava subestimado

Isabel Palma (14-01-11)
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Um novo estudo verificou que o potencial das águas residuais como fonte de energia renovável estava subestimado. Os cientistas esperam que o panorama de aproveitamento energético nas ETAR seja alterado com estes novos resultados. 

Nos países industrializados há uma grande produção de águas residuais diariamente. Estas águas apresentam grandes quantidades de compostos orgânicos, que armazenam energia nas suas ligações químicas. A extracção do metano, através de digestão anaeróbia ou a utilização de células de combustível microbianas são métodos que podem ser usados para extrair esta energia.

Há um número crescente de pesquisas focadas nestes métodos, para que as estações de tratamento de águas residuais (ETAR) possam tornar-se produtoras de energia. Actualmente, o aproveitamento de energia a partir do metano já acontece em diferentes ETAR com rendimentos variáveis. Mas, qual a quantidade de energia presente no esgoto?

Elizabeth Heidrich, uma estudante de doutoramento da Universidade de Newcastle, é a líder de um novo projecto que estuda as células de combustível microbianas. Estes equipamentos geram corrente eléctrica através da captura de electrões livres quando as bactérias decompõem a matéria orgânica nas águas residuais.

No desenvolvimento do seu projecto, decidiu determinar a quantidade de energia que poderia ser extraída. “Parecia uma pergunta óbvia para começar”, refere. No entanto, quando pesquisou sobre o assunto, ficou surpresa por encontrar apenas um artigo publicado em 2004. Neste estudo, os autores estimaram que as águas residuais produzidas no mundo (tendo em conta a população mundial de 6,8 mil milhões de habitantes) continham um fornecimento de energia contínuo de 70 a 140 gigawatts. Uma central nuclear produz cerca de 1 gigawatt.

No entanto, os resultados deste estudo são “problemáticos”, sublinha Heidrich. Os autores secaram a amostra a 103ºC, o que poderá ter originado a perda por evaporação de vários compostos orgânicos, resultando numa subestimação dos valores de energia contidos no esgoto, alerta a líder do estudo.

Heidrich e os seus colegas recolheram novas amostras águas residuais. Concluíram que as águas residuais das habitações continham mais 7,6 a 20% de energia que o referido no estudo anterior. A estimativa anterior é “substancialmente subestimada.”

Apesar do seu método também apresentar algumas limitações, Heidrich sublinha que estes resultados terão implicações imediatas no mundo. “Penso que as águas residuais domésticas têm sido vistas até agora como algo do qual não podemos tirar energia, então não vale o esforço. Agora possivelmente [esta perspectiva] pode mudar.”


Fonte: www.scientificamerican.com


Leituras Adicionais:

Tecnologias de Tratamento de Águas Residuais Urbanas
 
Aplicação de lamas de ETARs em solos agrícolas e florestais

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