Existem vulcões de gelo numa lua de Saturno?

Ana Ganhão (17-12-10)
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A sonda Cassini encontrou evidências do que poderia ser um vulcão de gelo em Titã, uma das luas de Saturno. Os dados transmitidos pela sonda sobre a topografia e a composição da lua de Saturno permitiram os cientistas fazer um mapa completo em 3D e descobrir que na zona mais longínqua do sistema solar poderiam existir crateras que ejectam gelo.

A sonda Cassini, que orbita Saturno, é um projecto conjunto entre a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Iitaliana (ASI). Os resultados recolhidos pela sonda foram apresentados no encontro anual da União Geofísica Americana, realizado em São Francisco, entre 13e 17 de Dezembro.

Os cientistas têm-se debatido durante anos se os vulcões de gelo, também chamados de criovulcões, existem nas luas ricas em gelo, e se existem, quais são as suas características. Houve anteriormente alegações da existência de vulcões de gelo em Titã, mas estas nunca ganharam um apoio universal, pois a sua atmosfera obscura dificulta todas as observações. Os cientistas continuam no entanto a sua procura, porque Titã é considerada uma excelente candidata dadas as suas condições frias (temperatura da superfície é de cerca de menos 180 graus Célsius).

A sonda Cassini detectou uma montanha de 1.500 m de altura e um vale profundo na mesma, o que parece ser um fluxo de material na superfície circundante.  "Nós vimos uma montanha que tem uma cratera de onde são expelidos os fluxos de material que se espalham por toda a superfície, nalgum momento do passado, e na verdade, quando olhamos mais detalhadamente em 3D, descobrimos que havia mais que um Vulcão nesta área", referiu Randy Kirk, membro da equipa da Pesquisa Geológica dos EUA (USGS). "Muito do material exterior de Titã é de gelo de água e amónia, e por isso é certamente um possível material que poderia derreter a baixas temperaturas e fluir na superfície", explicou Kirk.

De momento, não existe nenhuma prova da actividade actual do vulcão, que está situado no sul do equador de Titã, num mar de dunas denominado por Sotra.

A Cassini foi lançada no espaço em Outubro de 1997 juntamente com a sonda Huygens da ESA. A nave chegou aos arredores de Saturno em 2004 para iniciar o estudo de Titã, a maior lua deste planeta. Desde então, que os 12 instrumentos a bordo da Cassini têm transmitido dados do sistema de Saturno, há quase seis anos, pelo que se suponha concluir a sua actividade no final de 2008. Este ano, a NASA decidiu prolongar a missão até 2017, o que permitirá aos cientistas estudar as alterações climáticas no planeta e nas suas luas. A sonda robótica também continuará a sua observação dos anéis de Saturno, assim como da magnetosfera deste planeta, par além da sua estrutura interna.

Fonte: http://www.bbc.co.uk

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