Estudo revela que metade dos primatas do mundo está ameaçada

Filipa Alves (22-02-10)
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O estudo realizado pelos peritos da UICN identificou as 25 espécies sob maior risco de extinção, que incluem primatas de todos os continentes, ameaçados pela desflorestação e a caça para o comércio ilegal de animais de estimação e de carne de animais selvagens.

Foi recentemente concluída a edição de 2008-10 da avaliação do estado de conservação dos primatas, a ordem de mamíferos que inclui os animais mais próximos evolutivamente do Homem. E os resultados não são animadores já que 48% das 634 espécies identificadas pela ciência se encontra sob ameaça de extinção.

O estudo, realizado por 85 especialistas em Primatologia para a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), identificou as 25 espécies de primatas mais ameaçadas e cuja sobrevivência depende de medidas de conservação a curto-prazo.

Entre os 25 primatas em maior risco incluem-se espécies de todos os continentes onde os primatas ocorrem naturalmente: 11 de África – 5 das quais de Madagáscar -, 11 asiáticas e 3 da América Central e do Sul.

Do Top 25 fazem parte espécies tão emblemáticas quanto o gorila (subespécie do Rio Cross - Gorilla gorilla diehli) ou o orangotango (espécie da Ilha de Sumatra – Pongo abelii) mas também espécies não tão conhecidas como o társio da Ilha Siau (Tarsius tumpara), na Ásia, ou o lémur-de-cabeça-cinzenta (Eulemur cinereiceps) de Madagáscar.

As principais ameaças são a destruição das florestas tropicais e a caça para o comércio ilegal de animais de estimação e o comércio de carne de animais selvagens.

Segundo Russell Mittermeier, presidente do Grupo de Especialistas em Primatas da UICN e Presidente da organização Conservation International “Os resultados (…) indicam que os primatas estão entre os grupos de vertebrados mais ameaçados. O objectivo das lista dos 25 mais ameaçados é realçar aqueles que estão sob maior risco, para atrair a atenção do público, estimular os governos nacionais a fazer mais e, sobretudo, a encontrar os recursos para implementar as tão necessárias medidas de conservação”.

Apesar de o panorama geral não ser animador há situações pontuais que revelam que é possível inverter a tendência de declínio, como exemplificado pelo mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) e o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), cujo estatuto passou de “Criticamente Em Perigo” em 2003 para “Em Perigo” actualmente.

Fonte: www.iucn.org

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