Meta de biocombustíveis da UE prejudica produção de alimento nos países em desenvolvimento

Filipa Alves (15-02-10)
Imprimir
Texto A A A

De acordo com um relatório da ActionAid, para se atingir a meta dos 10% de biocombustíveis serão necessários mais 17,5 milhões de hectares de terra em países em desenvolvimento onde substituirão as áreas de cultivo destinadas à produção de alimento, o que causará o aumento do preço dos alimentos e do número de pessoas com fome.

No âmbito das suas políticas de desenvolvimento sustentável, foi estabelecido como meta pela UE que, em 2020, 10% de todo o combustível consumido pelos transportes terá de ser de origem biológica. Num relatório cujos resultados foram agora divulgados a ONG ActionAid vem agora alertar para as consequências a nível global do cumprimento desse objectivo.

As áreas agrícolas cuja produção se destina ao fabrico de biocombustíveis para utilização nos países desenvolvidos são alojadas muitas vezes em território de países em desenvolvimento na Ásia, América Central e África, onde ocupam o lugar dos cultivos destinados à produção do alimento, causando uma queda acentuada disponibilidade deste bem de primeira necessidade e a subida acentuada do seu preço.

Com efeito, o Fundo Monetário Internacional calcula que 20% a 30% do pico no preço do alimento observado em 2008 foi uma consequência do desvio de 125 milhões de toneladas de cereais destinados à alimentação para a produção de biocombustíveis.

Para se atingir a meta dos 10%, 2/3 da matéria-prima necessária à produção de biocombustíveis será produzida nos países em desenvolvimento onde serão ocupados 17,5 milhões de hectares de cultivos, o que gerará um crescimento de 100 milhões no número de pessoas com fome, o aumento do preço do alimento, bem como a falta de terras de cultivo, alerta a ActionAid.

Segundo Tim Rice, autor do relatório “Os biocombustíveis são os causadores de uma tragédia humana. Os preços do alimento já aumentaram consideravelmente. À medida que a produção de biocombustíveis encurta o passo isto só pode acelerar”.

Tendo em conta que a aposta nos biocombustíveis também é opção de outras potências, com os Estados Unidos a investirem em força, as preocupações sofrem um agravamento. Segundo a ActionAid, se as metas globais de biocombustíveis forem cumpridas os preços do alimento poderiam aumentar para mais 76% em 2020, com um crescimento de 600 milhões no número de pessoas com fome, seis vezes o número de pessoas afectadas pelas políticas de biocombustíveis da UE.

Fonte: www.guardian.co.uk

Leituras Adicionais

Quercus quer revisão da meta portuguesa de 10% de Biocombustiveis no sector dos transportes para 2010

Novos estudos indicam que os biocombustíveis aumentarão as emissões de GEE

Cientistas americanos concluem que a produção de biocombustíveis à base de algas tem impactos ambientais significativos 

Documentos Recomendados

BIOCOMBUSTÍVEIS: As contradições do discurso e o discurso das contradições 

THE STATE OF FOOD AND AGRICULTURE 2008 - BIOFUELS: Prospects, Risks and Opportunities

Comentários

Newsletter