A maior raia do mundo pode extinguir-se devido à sobrepesca

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A espécie conhecida por Dipturus batis, incluída na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas engloba na realidade duas espécies distintas, D. cf. intermedia e D. cf. flosada, a primeira das quais sofreu um declínio populacional acentuado devido à pesca excessiva que não foi reconhecido devido às capturas de D. cf. flosada, considerada então a mesma espécie.

A raia-comum-europeia, Dipturus batis, foi abundante em águas britânicas e norte-europeias durante muito tempo, mas a sua população tem vindo a diminuir de forma acentuada nas últimas décadas, de tal forma que em 2008 o Conselho Internacional de Exploração do Mar considerou a espécie extinta nos mares do Norte, Céltico, Skagerrak e no Canal Inglês. Foi então recomendado que se deixasse de pescar esta espécie tanto de forma intencional como através de capturas acidentais. 

A espécie está incluída na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas desde 2006, mas um estudo recentemente publicado na revista Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, que fez uma análise genética e morfológica dos animais capturados sugere que o risco de extinção pode ser ainda maior do que se pensava.

Segundo o estudo realizado por investigadores do Museu Nacional de História Natural e da Estação de Biologia Marinha de Concarneau, em França, a rara-europeia comum inclui, na realidade, duas espécies distintas.

Com efeito, na história da classificação da espécie, já tinham sido reconhecidas duas espécies, desde meados do séc. XIX – D. intermedia e D. flosada - classificação que foi, no entanto, descartada em 1926 devido a um trabalho de R.S. Clark, que considerou as duas formas como parte da mesma espécie, o que permaneceu inquestionado até agora.

Esta “confusão” não permitiu detectar o declínio vertiginoso da D. cf. intermedia, mascarado pelas capturas de exemplares da outra espécie que também se classificava como D. batis. A D. cf. intermedia apresenta, então, um risco de extinção muito superior ao previamente calculado, exigindo acção imediata.

Segundo S. Iglesias, responsável pelo estudo “A ameaça de extinção da Dipturus europeia juntamente com o erro na sua classificação nas estatísticas piscatórias salienta a necessidade de uma grande reavaliação da população de espécies diferentes de Dipturus em águas europeias. Sem a revisão e o reconhecimento do seu estatuto distinto, a maior raia do mundo a D. cf. intermedia, extinguir-se-á brevemente”.

Fonte: www.europaress.es

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