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Cistanche phelypaea - Família das Orobanchaceae
Parasita das raízes das Quenopodiáceas lenhosas das areias do litoral ou dos sapais a Sul do Tejo. Floresce no principio da primavera, sobressaindo das copas das espécies hospedeiras grandes cachos de flores de um amarelo vivo brilhante. Planta proveniente do Norte de África e Arábia.
(Ana I. Correia, Local - Sapal do Tejo)
Nos sapais as parasitas apresentam, tal como a vegetação dominante, uma zonação de acordo com os níveis de salinidade. Assim é vulgar encontrar as hemiparasitas (não são parasitas totais, ver abaixo) nas zonas altas do sapal enquanto as holoparasitas se encontram nas zonas mais baixas.
A Cuscuta spp é também uma holoparasita da família das convolvuláceas. Estas plantas já apresentam um desenvolvimento para o exterior maior que as espécies anteriores apresentando caules volúveis, que envolvem os caules das espécies hospedeiras e penetram nos feixes condutores destas. Possuem folhas muito reduzidas escamiformes e as raízes muito diminutas morrem muito precocemente. Depois da germinação o caule da plântula desenvolve-se constituindo um filamento comprido e fino que descreve círculos amplos, o que permitirá a esta parasita encontrar neste raio de acção o caule de uma planta hospedeira que rodeia como uma planta volúvel. Nos pontos de contacto desenvolve umas excrescências papilosas epidérmicas que penetram no tecido destas e, se encontram condições propícias, desenvolvem haustórios que penetram nos feixes vasculares funcionando como autênticos chupadores de água, de substâncias inorgânicas e orgânicas do xilema e do floema da planta hospedeira. Esta planta para além de "caçar" activamente, investigando a vegetação rasteira com as suas gavinhas ainda escolhe a vítima com cuidado. Parece capaz de "saber" se um determinado caule que toca é rico em nutrientes ou não. A gavinha se encontra um caule depauperado abandona-o e continua o seu movimento de busca até encontrar um melhor e mais carnudo. Formam um emaranhado de caules finos tenros e volúveis, amarelos ou alaranjados, os quais envolvem as plantas que parasitam por meio de haustórios. Nunca possuem clorofila e possuem flores pequenas e claras. Parasitam numerosas espécies herbáceas e algumas espécies lenhosas: a Cuscuta australis (enleios) parasita o lúpulo, a videira, o tomateiro e algumas plantas espontâneas, e a Cuscuta epithymum (cabelos) que parasita várias leguminosas, cistaceas e ericáceas existindo além destas mais espécies de Cuscuta na flora portuguesa.
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Cuscusta spp. - Família das Convolvulaceae
Planta herbácea volúvel, holoparasita com haustórios. Nunca possuem clorofila e possuem flores pequenas e claras. Parasitam numerosas espécies herbáceas e algumas espécies lenhosas. A cuscuta é muito abundante por todo o País e pode ser muito prejudicial para as culturas. Nomes vulgares: Linho de cuco e enleios.
(Otília Correia, Local - Arrábida e Serra dos Candeeiros)
Outras espécies, são tipicamente HEMIPARASITAS, isto é, não são parasitas totais, desenvolvendo folhas verdes. Formam muitas vezes arbustos ou pequenas árvores, no entanto não investem na produção de sistemas radiculares formando haustórios tal como as holoparasitas que penetram nos feixes condutores das raízes ou troncos da espécie hospedeira, mas neste caso penetram apenas ao nível do xilema retirando água e nutrientes ao contrário das holoparasitas que utilizam também directamente o fotossintetizado do floema. Estas espécies terão que fabricar a sua própria matéria orgânica através da fotossíntese possuindo portanto orgãos fotossintéticos, sendo por isso consideradas como semiparasitas.
Como hemiparasitas das raízes de outras plantas temos como exemplo na região mediterrânea espécies do género Pedicularis, que aparece em prados turfosos onde existem várias espécies do género. Têm folhas finamente divididas e flores de corolas violáceas normalmente tubulosas e bilabiadas. Em Portugal existem duas espécies, P. palustris, nos lameiros dos arredores de Bragança e P. sylvatica bastante dispersa sobretudo em turfeiras ácidas, urzais e matos de solos turfoso.
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Pedicularis sylvatica - Família das Scrophulariaceae
Hemiparasita de caules herbáceos, glabros. Folhas com os segmentos dentados ou fendidos. Flores em cachos, róseas ou brancas. Lábio inferior da corola tão longo ou quase como o superior. Aparece por todo o País em regiões altas e nos sítios incultos.
Antigamente eram utilizadas em infusões, como remédio contra os parasitas dos animais domésticos.
(Ana I. Correia, Local - Espanha, turfeira)
Uma das hemiparasitas mais conhecidas da Europa é o visco-branco (Viscum album) que vive como um epífito no cimo de árvores, destacando-se muito bem no inverno porque apresenta folhas verdes todo o ano quando a árvore hospedeira perde as folhas (Foto 7 ). O visco branco desenvolve-se como hemiparasita em várias árvores de folha caduca (pereiras, macieiras, cerejeiras, salgueiros, tílias, choupos, etc.) e, em certos casos em coníferas.