Considerações sobre Bem Estar Animal. I. Conceitos e Discussão

Sara Albuquerque*
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O grande problema em admitir que deve ser garantido o bem estar de todos os animais, relaciona-se com a tendência ilógica das pessoas em manifestarem maior preocupação com os animais de estimação, do que com os animais mantidos noutras circunstâncias - para utilidade humana e habitualmente isolados do público. De facto, um cão ou um cavalo ferido ou desnutrido causam uma resposta maior por parte da sociedade que um rato, ovelha ou galinha nas mesmas condições.

Ao tentar determinar o que é mais importante na discussão sobre bem estar animal, muitas possibilidades se levantam. Para alguns, a área mais importante é a experimentação animal, enquanto outros argumentam que, em virtude do numero dos animais utilizados, a produção animal e a carnificina por esta produzida, devia estar no topo da lista, não esquecendo ainda as preocupações com a fauna selvagem, como as resultantes das matanças de Cangurus na Austrália ou as Baleias no Japão.

Um problema típico que surge quando se tenta estabelecer prioridades em bem estar animal, resulta de que a maior parte das pessoas tem as suas preferencias individuais, o que prejudica as reais necessidades dos grupos de animais em questão. Se a emoção se sobrepõe à lógica ao tentar decidir o que é realmente importante no bem estar animal, muitas questões fulcrais e mais imediatas podem ser esquecidas. Na tentativa de avaliar o bem estar, é por isso necessário termos em atenção a evidência cientifica disponível no que diz respeito aos sentimentos dos animais, que possam ser derivados da sua estrutura e função, assim como do seu comportamento natural.

Apesar destas alusões aos sentimentos dos animais em geral e ao sofrimento dos animais em particular, a opinião comum dentro da comunidade cientifica, é de que o bem estar está intimamente ligado ao stress. Já em 1789 o filósofo Jeremy Betham afirmava que a questão não é se possuem razão, ou se conseguem falar, mas se podem sofrer!

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