O Percurso Evolutivo dos Cetáceos - a Transição Terra-Mar

André Moura – Universidade de Durham
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Figura 2. Esquema representativo das relações evolutivas entre os cetáceos extintos (Archaeoceti) e os cetáceos modernos.

Os Archaeoceti

Talvez a descoberta mais significativa para a compreensão da evolução dos cetáceos tenha sido a dos Pakicetidae. O paleantólogo que descobriu um dos primeiros crâneos desta família, disse que inicialmente o encarou como um crâneo típico de um Creodonte (um grupo de mamíferos carnívoros agora extinto) excepto na forma do ouvido interno. Este era extremamente semelhante ao ouvido interno que apenas pode ser encontrado nos cetáceos. No entanto, este fóssil tinha sido encontrado em pleno deserto do Paquistão, juntamente com uma grande número de fósseis de mamíferos terrestres . Era a primeira evidência sólida que indicava que os cetáceos tinham tido a sua origem em animais terrestres. Desde a descoberta do primeiro crâneo de Pakicetus, foram encontrados vários fósseis deste género, que permitiram perceber qual seria a sua forma, tamanho, e quais os ambientes em que viviam. É provável que este animal fosse semelhante em forma aos actuais canídeos (Figura 3) e embora fosse terrestre, provavelmente teria um estilo de vida ligado a ambientes dulçaquícolas, alimentando-se de peixe. No entanto, não existem quaisquer evidências de que Pakicetus tivesse alguma relação com o mar, uma vez que nas jazidas deste animal apenas foram encontrados fósseis de pequenos mamíferos e peixes de água doce.

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