O Rosmaninho em Portugal

Pedro Bingre
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Actualmente são reconhecidas cinco espécies de Lavandula em Portugal: L. luisieri, L. viridis e L. pedunculata (esta última dividindo-se pelas subespécies pedunculata, sampaiana e lusitanica) formam uma secção dentro do género (secção Stoechas Gingins) muito aproximada filogeneticamente; e ainda L. latifolia Medicus e L. multifida L., duas espécies menos abundantes e mais distintas das primeiras.

Dentro da secção Stoechas (que se distingue, para o observador casual, pelas três longas brácteas violetas ou brancas no topo da espiga), L. pedunculata separa-se de L. luisieri pelo longo pedúnculo da inflorescência, e L. viridis distingue-se pela tonalidade verde-amarelado ou branco da espiga e pela intensa concentração de pêlos glândulares. L. pedunculata e L. luisieri abundam no Nordeste, Centro e Sul; L. viridis, bastante menos fácil de encontrar, ocorre apenas e esporadicamente no Sudoeste e Sudeste alentejanos e no Barlavento algarvio.

A espécie L. latifolia cresce apenas nos maciços calcários da estremadura e beira litoral; L. multifida, sendo altamente termófila (isto é, atreita a microclimas mais quentes), e tendo decerto herdado a sua actual distribuição geográfica em função das condições climáticas de passadas épocas glaciares, encontra-se refugiada em pequenas comunidades nas vertentes vertentes expostas a sul da Serra da Arrábida e do vale do Guadiana.

O conhecimento científico dos rosmaninhos portugueses tem uma história própria. As espécies portuguesas de Lavandula foram sendo descobertas e destrinçadas ao longo de vários séculos. Brotero, na sua Flora Lusitanica (1804), assinalava apenas L. spica L. (a alfazema cultivada, não espontânea), L. stoechas L. e L. multifida L.. Mais de um século depois, estando o país melhor investigado por botânicos nacionais e estrangeiros, já Pereira Coutinho descrevia na Flora de Portugal (2ª edição, 1943) cinco espécies: três idênticas às descritas por Brotero (fazendo notar que a L. stoechas L. portuguesa pertencia à variedade pedunculata Cav. dessa mesma espécie) , e ainda L. latifolia Villars e L. viridis Ait. A Nova Flora de Portugal de Amaral Franco (1984), obra actualmente tida como a referência mais correcta para este género do nosso país, refere cinco espécies: constata que afinal a L. stoechas que se supunha existir aqui é um par de espécies distintas: L. pedunculata e L. luisieri (reconhecendo portanto que a verdadeira L. stoechas, comum em França, não ocorre por cá); L. viridis; L. latifolia e L. multifida; alude ainda ao cultivo da alfazema (nome atribuido a várias espécies: L. dentata L., L. spica L., L. angustifolia L. e, por vezes, às já referidas espontâneas L. latifolia e L. multifida).

O género Lavandula, por seu turno, pertence à família das Lamiáceas ou, como é melhor conhecida, Labiadas. Recebem este nome porque todas possuem flores tubulares cuja "boca" termina em dois lábios (superior e inferior) ou, mais raramente, num só. Muitas são as espécies de labiadas a que o Homem dá aplicação: o poejo (Mentha pulegium L.), o patchouli (Pogostemon cablin (Blanco) Benth.), o basílico (Ocimum basilicum L.), o manjerico (Ocimum minimum L.), a segurelha (Satureja hortensis L.), o alecrim (Rosmarinus officinalis L.), a salva (Salvia spp.). São características de climas mediterrânicos e sub-tropicais, embora algumas suportem bem climas mais frios.

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