Gestão e Conservação da Biodiversidade de Florestas Mediterrânicas: o caso dos Sobreirais da Serra do Caldeirão

Joana Santana - ERENA
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Parâmetros de biodiversidade

Amostragem de vegetação

A vegetação das 48 parcelas de sobreiral foi caracterizada ao nível dos estratos arbóreo, arbustivo (entre Novembro de 2004 e Março de 2005) e herbáceo (em Maio de 2005). Em cada parcela, foi definido transecto principal de 100 m ao longo do qual foram dispostos quadrados de amostragem de 20 x 20 m em lados alternados do transecto, distanciados aproximadamente de 22 m. Em cada quadrado todas as espécies com porte arbóreo (DAP≥6 cm) foram identificadas e medidas de acordo com os parâmetros do Inventário Florestal Nacional. Ao longo do mesmo transecto, foram dispostos transectos perpendiculares de 20 m distanciados de cerca de 22 m; ao longo dos quais foram medidas as intersecções das copas de todas as espécies arbustivas (DAP<6 cm) com o transecto. Adicionalmente, foram estabelecidos dois quadrados de 10x10 m em lados alternados do transecto de 20 m, onde foi feita uma estimativa visual da cobertura por cada uma das espécies lenhosas dominantes, considerando a seguinte estratificação vertical: 0-0.2 m, 0.2-1 m, 1-2 m, 2-4 m, 4-8 m, 8-16 m, >16 m). Por fim, a amostragem das plantas herbáceas teve por base a divisão das parcelas em quatro quadrantes, e a inventariação das espécies presentes e estimativa do seu grau de cobertura em círculos com 2 m de raio (12.6 m2) colocados no centro de cada quadrante. As espécies foram em geral identificadas no campo, tendo contudo sido herborizado algum material para confirmar identificações ou para uma análise mais detalhada de grupos taxonómicos particularmente complexos.


Amostragem de cogumelos

As amostragens de macrofungos (cogumelos) nas 48 parcelas de sobreiral foram efectuadas entre o início de Novembro de 2005, pouco tempo após as primeiras chuvas outonais, e meados de Janeiro de 2006, abarcando o principal período de frutificação dos cogumelos. As amostragens decorreram apenas uma vez em cada parcela ao longo do transecto principal com 100 m. Em cada caso, os carpóforos (ou grupo de carpóforos) foram detectados a partir do transecto, registando-se a sua identidade taxonómica, número e distância perpendicular ao transecto. Em muitos casos, foram recolhidos exemplares para identificação ou confirmação da identificação em laboratório. Os carpóforos não identificados foram classificados em termos de morfoespécies, adoptando um procedimento vulgar neste grupo.

Amostragem de borboletas

A caracterização das comunidades de borboletas presentes nas 48 parcelas de sobreiral decorreu em cinco períodos distintos (Junho-Julho, Agosto e Setembro de 2005 e Abril e Maio de 2006). Cada amostragem consistiu na realização de percursos pedestres com trajecto irregular realizados a partir de um dos vértices da parcela com duração de 10 minutos, procurando abranger toda a área delimitada. Durante cada percurso, todas as borboletas detectadas num raio de 5 m foram identificadas e contadas. Foram também anotados os factores ambientais e o tipo de coberto arbustivo. Nos casos em que não foi possível a identificação durante o voo, os indivíduos foram capturados com rede e soltos após identificação.


Amostragem de aves

As comunidades de aves de foram amostradas com base em contagens pontuais de 15 minutos realizadas do ponto central de cada uma das 48 parcelas de sobreiral, duas vezes na Primavera (Abril-Maio e Junho 2005) e duas vezes no Inverno (Dezembro 2005 e Janeiro 2006). As duas contagens de Primavera permitiram acompanhar a época de nidificação dos indivíduos residentes e dos migradores trans-sarianos. As duas contagens de Inverno foram desenhadas para amostrar dois períodos contrastantes em termos de disponibilidade de frutos (principalmente de medronho). As amostragens foram efectuadas ao início da manhã e ao final do dia, durante os períodos de maior actividade das aves. Durante cada amostragem, todas as espécies de aves vistas ou ouvidas foram registadas, anotando também a distância de detecção a cada ave e o seu comportamento. Apenas as observações realizadas com aves detectadas a menos de 100 m foram consideradas para as análises. Foram também excluídas das análises espécies com actividade maioritariamente nocturna como a coruja-do-mato (Strix aluco) e a galinhola (Scolopax rusticola), e espécies com cuja actividade é dificilmente relacionada com variáveis da parcela como a cegonha-branca (Ciconia ciconia), gaivotas (Larus spp.), aves de rapina, andorinhões (Apus spp.), andorinhas (Hirundo spp. e Delichon urbica). No Inverno, os bandos de aves a voar por cima das copas das aves foram também excluídos uma vez que correspondem a movimentos a larga escala de, e para, os locais de abrigo.

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