Existem vários factores que favorecem a poligamia e um deles é, obviamente, o desajuste entre o número de indivíduos de ambos os sexos. Também quando a distribuição dos recursos vitais de uma espécie é heterogénea, irá necessariamente haver territórios mais ricos do que outros e, frequentemente, as fêmeas preferem partilhar um macho “rico” do que ter um ”pobre” só para elas.

A poliandria é talvez o sistema de acasalamento menos frequente entre os animais; note-se que em apenas 1% das espécies de aves é que ocorre. Nestes casos, as fêmeas defendem os territórios favoráveis à nidificação, acasalam, e depois os diferentes machos incubam os ovos e cuidam da respectiva prole. Este é o caso de algumas limícolas do Árctico, como os falaropos, em que ao contrário do que é mais frequente, são as fêmeas que ostentam a plumagem mais colorida e espectacular.
Os sistemas de acasalamento promíscuos, considerados por alguns autores como um caso particular de poligamia, caracterizam-se pelo facto dos parceiros copularem indiscriminadamente, sem se estabelecerem para além disso qualquer tipo de relações.
Nalgumas aves, como os combatentes, ou em ungulados, como os gamos, as fêmeas dirigem-se a “arenas” onde os machos se exibem, para copular. Pensa-se que esta estratégia facilite que em ambientes por vezes adversos várias fêmeas e machos se encontrem, oferecendo maiores hipóteses de escolha. Curiosamente, sabe-se que para algumas espécies de aves, nestas arenas de exibição cerca de 10% dos machos conseguem copular com 80% das fêmeas, não sendo, por isso, uma estratégia igualmente compensadora para todos.
Apesar de toda a investigação feita nessa área, os motivos que fazem com que diferentes espécies ou, por vezes, até diferentes indivíduos dentro de uma mesma espécie, adoptem sistemas de acasalamento tão distintos permanece ainda em grande parte por explicar. Seguramente, a complexidade do ser humano extravasa em muito a componente biológica e a sexualidade vai muito mais além da reprodução. Mas numa área tão fértil em preconceitos como esta, é interessante olhar para o que se passa com os outros animais e procurar encontrar paralelos com alguns comportamentos humanos, que por vezes nos parecem bizarros e que temos dificuldade em compreender.
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