Os sistemas de acasalamento dos animais

Alexandre Vaz
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Apesar das aves serem os “campeões da monogamia” e de mais de 90% das espécies estabelecerem relações desta natureza, muitas delas a durarem toda a vida, não só os “divórcios” ocorrem com uma certa frequência, como a infidelidade é também, para muitas espécies deste grupo, uma prática corrente. O acasalamento para a vida poupa o esforço sazonal de encontrar um parceiro, mas mesmo em espécies que tipicamente recorrem a esta estratégia, como os Pinguins de Adélia, as separações anuais podem, em casais já antigos, chegar aos 16%, e dos nos novos casais 44% só ficará junto por uma época. De uma forma geral, a probabilidade de separação aumenta na sequência de uma tentativa de reprodução falhada.

De entre as espécies de aves tradicionalmente monogâmicas, conhecem-se cerca de uma centena que, com maior ou menor frequência, copulam com indivíduos externos ao casal. Algumas vezes estas cópulas são forçadas pelos machos, mas muitas vezes são consentidas e até procuradas pelas fêmeas. Nestes casos, por vezes apenas metade da ninhada é que descende efectivamente do macho do casal. Para os machos esta é uma forma económica de transmitirem os seus genes, sem terem que investir nos cuidados parentais e de reduzir o risco de perda acidental da totalidade dos seus descendentes. Para as fêmeas não só é uma maneira de assegurar uma maior diversidade da sua ninhada, aumentando a probabilidade de que, pelo menos, algumas crias tenham sucesso, como podem ainda estar a optar por emparelhar com um macho que lhes seja fiel e eficaz nos cuidados a prestar às crias, mas preferir gerar crias com um outro eventualmente mais forte e saudável. Uma outra forma curiosa das fêmeas aumentarem a sua produtividade, consiste em sub-repticiamente porem ovos nos ninhos de outras fêmeas.

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