Nos prados calcários que ocupam algumas zonas do país, nomeadamente na região de Lisboa, domina uma gramínea – é Brachypodium phoenicoides, uma planta perene que forma densos tufos que por vezes coalescem num relvado contínuo. Estes prados são habitats riquíssimos do ponto de vista florístico e devem a sua estrutura sobretudo a esta planta, e, possivelmente, devem-lhe até a sua perenização pelo atractivo que B. phoenicoides representa para os herbívoros.
Um caso totalmente diferente é o que sucede nas dunas. Estas formações estão dependentes de duas espécies de gramíneas perenes que nelas se desenvolvem – Ammophila arenaria (estorno) e Elymus farctus. Ambas são imprescindíveis na fixação da areia trazida pelo vento da praia, e, se ausentes, a duna primária (aquela mais próxima do mar) colapsa, o que, ao longo do tempo, pode resultar na degradação de todo o complexo dunar, pois não existe outra espécie que substitua a A. arenaria nem o E. farctus nesta tarefa.
Como terceiro exemplo, refira-se de novo os caniçais. Este é um caso extremo em que o habitat é formado por uma única espécie, uma gramínea (Phragmites australis), sendo um habitat de inegável valor para a avifauna.
Aspecto de um relvado perene de Brachypodium phoenicoides em Maio.
Espécies raras.
Embora seja uma ideia estranha para quem nunca pensou no assunto, existem diversas espécies de gramíneas bastante raras, algumas endémicas.
O género Festuca é especialmente propício à raridade. Compreende muitas espécies, todas perenes, habitando diversos habitats. Este género, por alguma razão desconhecida, possui muitas espécies que se restringiram muito no espaço geográfico que ocupam. Destacam-se aqui a Festuca henriquesii e a F. brigantina. Ambas são endémicas de locais muito restritos, a primeira da Serra da Estrela, a segunda de uma formação geológica muito especial existente em Trás-os-Montes, as serpentinas. Ambas estão em perigo de desaparecer, sobretudo F. brigantina, cujo principal factor de ameaça é a destruição do seu habitat pela urbanização, dado que alguns núcleos estão perigosamente perto da cidade de Bragança.
Pseudarrhenaterum pallens é uma outra espécie raríssima. Endémica de Portugal, surge apenas em algumas, poucas, zonas calcárias, principalmente na Serra da Arrábida, onde se encontra também ameaçada pelas actividades humanas. É uma planta perene de matos abertos e fendas de rochas, mas sempre escasseando.
Para finalizar, refira-se Avenula hackelii, endémica da costa sudoeste, onde ocorre em substratos arenosos em populações fragmentadas. Embora ainda não esteja propriamente em vias de se extinguir, encontra-se sob a ameaça severa de pressões urbanísticas e em nítida regressão.