Hyparrhenia hirta, uma gramínea perene de habitats muito secos e quentes, aqui crescendo num zambujal alentejano.
Mas afinal, o que são as gramíneas?
A morfologia típica de uma gramínea é muito semelhante em todas as espécies: um caule geralmente oco, com nós engrossados, no qual se inserem as folhas com uma forma tendencialmente linear, e de nervação paralela (em todas as espécies portuguesas). Estas folhas têm uma morfologia muito típica: a parte proximal forma uma bainha que envolve parte do caule, a qual termina no limbo foliar. Na articulação entre estas duas partes existe um prolongamento – a lígula – em forma de membrana ou de uma fiada de pêlos.
Porém, a característica mais marcante desta família reside na morfologia da flor. Esta é um exemplo de redução floral fantástico. Entenda-se por “redução”, o processo evolutivo que conduz à perda de estruturas que, outrora funcionais, terão perdido a sua função e, como tal, razão de existir.
A sua aparente simplicidade estrutural fez com que se tenham considerado as gramíneas como plantas primitivas. Essa ideia está, contudo, ultrapassada.
O diagrama resume de uma forma simplificada uma espigueta – a unidade básica da inflorescência de uma gramínea e com muita importância na identificação das espécies.

Melica minuta, uma gramínea perene dos matagais secos, em floração. Note os estames pendentes, a roxo.

Esquema geral de uma espigueta, neste caso com duas flores. Para melhor compreensão, as flores foram esquematizadas abertas, o que geralmente não se observa.
Como se observa e como o nome indica, a espigueta é uma pequena espiga, geralmente com várias flores muito reduzidas. O exemplo mais típico de uma espigueta é cada uma das unidades visíveis na inflorescência da aveia. No entanto, a espigueta pode ser de identificação difícil em inflorescências compactas e/ou pequenas. A espiga do trigo, por exemplo, é uma “espiga de espiguetas”, já menos óbvias, cada uma com várias flores.