De resto é curioso que passados dois mil anos consideremos como um património natural a preservar muitos biótipos mediterrânicos que não são mais do que uma criação do Homem. Será que daqui a dois mil anos os nossos descendentes irão procurar preservar os eucaliptais com o mesmo entusiasmo com que nós protegemos os nossos soutos (povoamentos de castanheiros).
Em Portugal, tal como em muitos outros países, existe legislação que proíbe a introdução de qualquer espécie sem que para o efeito sejam requeridas as autorizações necessárias. No entanto, continua a ser prática habitual que, por exemplo, os navios petroleiros quando regressam de entregar o crude, encham os depósitos de água do mar para fazer lastro, e que o libertem mais tarde por vezes a muitos milhares de quilómetros de distância e num outro oceano. Obviamente que nos milhões de litros de agua transportada vem invariavelmente um grande número algas, moluscos ou peixes que poderão vir a reproduzir-se e a estabelecer-se numa nova área.

Ainda recentemente em Portugal foi descoberta uma espécie de nemátode da madeira que já causou pesadas baixas em plantações de pinheiros de alguns países como o Canadá ou Japão. Avança-se a possibilidade de a dita espécie ter entrado em território Português quando da vinda de madeiras exóticas para a Expo 98.
Estes exemplos servem para notar que, por muito apertada que seja a legislação, a fiscalização, a monitorização ou o controle, no futuro assim como foi no passado, as espécies exóticas desempenharão certamente um papel não negligenciável nos nossos ecossistemas e no nosso dia a dia.