Espécies Exóticas

Alexandre Vaz
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De resto, o perigo das espécies exóticas consiste apenas no facto de se confrontarem espécies diferentes sem que tenha havido uma adaptação mútua longa e evolutiva. Neste caso, pode ocorrer um de dois cenários: ou a espécie introduzida carece de uma mais valia competitiva e desaparece ou sobrevive com dificuldade sem deixar marcas na paisagem ou, pelo contrário, encontra um ecossistema favorável, porventura sem inimigos naturais e com recursos inadequadamente preparados para a enfrentar, e multiplica-se por vezes exuberantemente transformando-se numa praga.


O problema das pragas não é exclusivo das espécies exóticas mas, pelas razões atrás referidas, é bastante mais frequente quando delas se trata, a existência de uma praga decorre de um desequilibro que tende para o limite.

De uma forma geral as diferentes espécies sobrevivem num equilíbrio ecologicamente precário, mas que não deixa de ser um equilíbrio. Quando esse equilíbrio se quebra, por vezes uma ou mais espécies tendem para a extinção, noutros casos, alguma acaba por se tornar uma praga. É ainda frequente que o primeiro fenómeno possa decorrer do segundo.

 Nas espécies animais, em particular quando existem relações de predador-presa, a abundância de uns é razoavelmente regulada pela abundância dos outros. Já no caso das plantas, é perfeitamente possível que uma exótica invasora acabe por destruir completamente uma comunidade de espécies autóctones, acabando por conduzi-las à extinção.


Actualmente, continuam-se a introduzir espécies por todo o mundo e de certa forma é natural que assim seja. Não seria desejável que tivéssemos de continuar a consumir apenas pão de bolota e parece razoável, e desejável até, que possamos incluir na nossa dieta, o milho, o trigo, a batata, a galinha, ou o peru. Está assim fora de causa, exterminar todas as espécies exóticas nos locais onde foram introduzidas, ou mesmo impedir a entrada de novas. Devemos no entanto fazer um grande esforço no sentido de prever quais as espécies cujos prejuízos potenciais de introdução ultrapassam em muito os eventuais benefícios que possam trazer. Há ainda um sem número de espécies que são introduzidas por razões absurdas, como sejam espécies de aves, de peixes ou de plantas ornamentais que acabam por ter consequências desastrosas.

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