Até ao final da década de noventa do século passado, os trabalhos em Portugal sobre monitorização da funcionalidade de PPP restringiram-se unicamente a alguns dispositivos de transposição instalados em grandes barragens (eclusa de Belver e das barragens do Douro internacional). Os casos de estudo apresentados no presente artigo foram dirigidos a escadas de peixes edificadas em pequenos aproveitamentos hidroeléctricos, tendo sido avaliada a sua funcionalidade no âmbito de um protocolo entre o Instituto Superior de Agronomia e a Direcção Geral dos Recursos Florestais. Para o efeito foram utilizados dois processos de avaliação distintos: contagem automática (detector de infravermelhos, o
Riverwatcher) e um método comportamental para determinação da eficiência (rádio-telemetria).

RIVERWATCHER
Na PPP por bacias sucessivas existente na mini-hídrica de Janeiro de Cima – rio Zêzere, bacia hidrográfica do rio Tejo – foi colocado por um período de 1 ano um dispositivo de contagem automática, o Riverwatcher. Este mecanismo é um detector de infravermelhos (IV) que se assemelha a um bio-scanner, tendo sido desenvolvido para contar e estimar o comprimento de indivíduos que transponham PPP. O dispositivo memoriza igualmente as silhuetas dos peixes que o transpõem, a direcção em que foi efectuado o movimento (ascendente ou descendente) e a temperatura da água. A base de funcionamento apoia-se na existência de duas placas de scanner, uma constituída por emissores IV, que transmitem feixes no comprimento de onda dos IV, para as estruturas receptoras existentes na outra placa. Quando um peixe nada através dos scanners, interrompe a recepção dos IV numa porção da placa – correspondente à dimensão do indivíduo – sendo esta “mancha” memorizada como silhueta do peixe.