Como conservar o Omphalodes kuzinskyanae?

Pedro Bingre
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A comunidade botânica está em alvoroço. A sobrevivência de uma espécie vegetal exclusiva do litoral de Sintra-Cascais, pode ser posta em causa pela construção de uma moradia contígua a um dos seus últimos habitats. Fomos avaliar a situação.

 

Pelos finais de Maio de 2001, nas arribas marinhas da Praia do Guincho (Concelho de Cascais), pouco a sudeste do forte do Abano, começou a escavação de um imenso cabouco. Cerca de 280 m2 de terreno, sob estevais, sabinais e pinhais, foram escavados a dois metros e meio (ou mais) de profundidade. Assim foi aberto o solo para receber os alicerces da futura moradia dos proprietários desse terreno. Entretanto, perto, bem perto da cratera que os bulldozers vão abrindo, estende-se um pequeno pinhal de algumas centenas de metros quadrados. São estranhos os seus pinheiros-mansos: de tão fustigados que são pelas ventanias da nortada, ananicam-se e retorcem-se tanto que as suas copas raras vezes levantam acima da altura de um homem.

O cabouco da futura moradia. Ao fundo, à esquerda da viatura, o pinhal-manso rasteiro sob o qual vegeta o mais importante núcleo de Omphalodes kuzinskyanae

Aparentemente, nada distingue este pinhal de outros do litoral português, senão talvez a forma escultural das suas árvores; mas ainda assim nem mesmo o mais sensível apreciador de árvores lhes reconheceria grande valor estético. Poucos visitantes o olhariam duas vezes. E todavia... é debaixo deste pardacento bosquete que se esconde quase toda população conhecida de uma pequena flor silvestre, porventura aquela mais perto da extinção em Portugal, o Omphalodes kuzinskyanae.

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