As estradas das zonas agrícolas e as aves de rapina

Nuno Leitão
Imprimir
Texto A A A

Muitas aves de presa utilizam as estradas para caçar e consumir os animais mortos por atropelamento. O atractivo destas zonas lineares pode muitas vezes custar a sua vida, mas nas áreas agrícolas são cada vez mais uma fonte de alimento fácil.

 

A construção de estradas implica a perda e fragmentação de habitats, podendo ter como consequência a redução da biodiversidade. No entanto, as estradas, principalmente em meios agrícolas, são usadas por aves de rapina, para aproveitar carcaças de animais mortos por atropelamento ou para caçar, mas muitas vezes são um factor de mortalidade para as próprias aves de rapina.

As aves de rapina são predadores de topo, e como tal estão em posição privilegiada para serem utilizadas como indicadores do funcionamento dos ecossistemas. Estas aves têm sido, por variadas vezes, integradas em programas de conservação, que, em muitos casos, contribuiram para melhorias das suas situações populacionais. As estradas e as suas margens, entendidas como habitats atractivos para algumas aves de rapina, poderão ser alvo de gestão tendo em conta as vantagens e desvantagens que proporcionam.

Está reconhecida a associação das aves de rapina com habitats lineares (orlas de campos, caminhos, estradas) proporcionados pelo Homem. Estes habitats, principalmente no caso de apresentarem vegetação, proporcionam poleiro e local de nidificação para as aves de rapina e são locais de acesso a alimento. As margens das estradas são habitats com grande abundância de pequenos mamíferos (muitas vezes maior do que nos campos agrícolas), principalmente se forem alvo de gestão extensiva, em contraste com uma eventual gestão agrícola intensiva nos campos adjacentes.

Comentários

Newsletter