Escorpiões – animais enigmáticos

Texto e Fotografia de Jorge Nunes
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Os escorpiões reconhecem-se facilmente devido ao seu aspecto inconfundível. Animais com uma excepcional capacidade de sobrevivência, as gentes do campo conhecem-nos pela designação popular de lacraus e temem as suas picadas muito dolorosas.

Apesar de à primeira vista os escorpiões apresentarem poucas semelhanças com as aranhas, os sistematas incluem-nos na classe dos Aracnídeos juntamente com as aranhas e os ácaros. Como acontece com os restantes artrópodes, apresentam um esqueleto externo quitinoso e apêndices articulados, necessitando de mudas sucessivas para que o exoesqueleto acompanhe o crescimento do animal.

Os escorpiões são predadores nocturnos ou crepusculares, que se alimentam principalmente de insectos e aranhas, podendo incluir também na sua dieta outros animais de maior tamanho, como pequenos roedores e répteis. Para capturar as presas de menores dimensões os escorpiões utilizam somente as quelíceras, evitando dessa forma gastar desnecessariamente o seu veneno mas, nas presas de maior tamanho, recorrem ao veneno do seu aguilhão caudal que as paralisa, facilitando assim a sua captura. O processo de ingestão do alimento é lento, podendo demorar duas horas para devorar completamente uma barata. Em relação ao tamanho, é variável de espécie para espécie, indo desde 9 mm no escorpião cavernícola Typhlochactas mitchelli até 20 cm de comprimento na espécie africana Pandinus imperator. Na realidade, são organismos extremamente fascinantes, pois possuem uma enorme resistência à radioactividade (pensa-se que são 150 vezes mais resistentes do que o Homem!) e às condições adversas dos meios inóspitos, onde geralmente habitam. No entanto, as suas proezas não se ficam por aqui. Conhecem-se relatos de escorpiões que viveram três anos sem se alimentarem, que suportaram temperaturas extremas de -10 ºC e +60 ºC, que não foram afectados por condições extremas de desidratação e que sobreviveram a um período de imersão de 2 dias.

Possuem uma distribuição geográfica cosmopolita, não existindo acima dos 45º de latitude Norte. Encontram-se por todo o hemisfério Sul com excepção da Nova Zelândia, Sul da Patagónia e Ilhas Antárcticas. Desde a zona das marés até às altas montanhas, a cerca de 6000 metros de altitude, colonizaram os mais diferentes habitats. Viram desaparecer os dinossáurios e crê-se que poderão assistir à extinção da espécie humana, nomeadamente se tal ocorrer devido a guerras nucleares.

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