Joaquim Vieira Natividade

António Barreto
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Em 1916 Joaquim Natividade, dividido entre seguir a carreira de medicina e o fascínio das coisas da terra, acaba por entrar para o Instituto Superior de Agronomia por decisão de seu pai. Os anos que se seguem são anos de aprendizagem tranquila, apenas marcados pelo rude golpe de perder o pai, em Fevereiro de 1918, quando frequentava o 2º ano do curso. Com excelentes resultados, conclui o curso de Engenheiro Agrónomo em 1922, após a apresentação do seu relatório de estágio "A Região de Alcobaça, Agricultura, População e Vida Rural", que preparou durante 1922 em Alcobaça, deixando como lembrança pessoal no Instituto um pequeno carvalho que plantou no pátio Central e que hoje é uma árvore imponente.

Nos anos seguintes dedica-se a estudos no ramo da Silvicultura, sobretudo no que respeita ao sector das Quercineas (carvalhos), vindo a concluir também o curso de Engenheiro Silvicultor em 1929, com a apresentação do trabalho final "O Carvalho Português nas Matas do Vimeiro". Durante este período, dá aulas entre 1925 e 1926 na "Escola Agrícola Feminina Vieira Natividade", antigo sonho de seu pai, inaugurada em 1925 em consequência da perseverança do Engº Agrónomo José Joaquim dos Santos, e faz parte da comissão organizadora do "II Congresso Nacional de Pomologia" onde ainda apresenta o trabalho "Método de Caracterização das Variedades de Peras Portuguesas ou Tidas como Tais", estruturando um método de classificação que constituiu a primeira tentativa de classificação de castas culturais de pereiras por chaves dicotómicas.

Em Fevereiro de 1930 ingressa na "Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas", sendo nomeado três meses depois, Director da "Estação Experimental do Sobreiro e Eucalipto" então criada e cuja sede passa a ser em Alcobaça.

Ao longo da sua carreira trabalhou por diversas vezes no estrangeiro, nomeadamente em Inglaterra e na Holanda.

Num concurso realizado em Fevereiro de 1933, foi aprovado em mérito absoluto para professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia. Os candidatos ao lugar vago de catedrático que havia na altura eram três, tendo Natividade ficado em segundo, facto que o desgostou tremendamente e o fez isolar-se em Alcobaça. É curioso que em quarenta anos de trabalho (entre 1928 e 1968), Natividade só não publicou algum trabalho exactamente em 1933, ano do concurso.

Porém, à força da sua enorme capacidade de trabalho e inteligência, interesse pela investigação científica e conhecimento da realidade pomarícola e suberícola do país, Natividade desenvolveu e publicou cerca de 320 trabalhos (livros, artigos técnicos, lições. comunicações, relatórios, etc.), muitos deles referências para a comunidade científica e estudantil (por exemplo os livros Pomares e Subericultura), tendo-se deste modo transformado em Mestre da Arboricultura portuguesa e, assim, acompanhado com a sua obra inúmeros alunos que em tempos tinha sonhado ensinar.

Durante a sua longa e produtiva carreira, Joaquim Vieira Natividade desempenhou diversos cargos entre os quais se destacam:

. Em 1933 foi nomeado Investigador e Chefe do Departamento de Pomologia da Estação Agronómica Nacional.

. Em 1947 foi incumbido de elaborar o plano de fruticultura da Ilha de Madeira.

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