Comportamento de marcação olfactiva de Genetas na Serra de Grândola

Hugo Costa
Imprimir
Texto A A A

As genetas efectuam marcações olfactivas, que funcionam como forma de trocar informação e delimitação territorial. Apresentamos um inovador estudo realizado em montado que pode ter implicações importantes na gestão das suas populações.

Os montados são formações semi-florestais mediterrânicas, compostas por espécies do género Quercus, geralmente azinheira (Quercus rotundifolia) e sobreiro (Quercus suber). Actualmente encontram-se em regressão em diversas áreas devido a gestão e exploração inadequadas. Apesar desta degradação, as áreas de montado continuam a apresentar uma série de elementos faunísticos característicos, que as tornam particularmente interessantes no contexto mediterrânico da conservação da Natureza.

A Serra de Grândola inclui-se numa das mais vastas áreas portuguesas de distribuição homogénea de montado e alberga uma comunidade de carnívoros rica e diversificada , encontrando-se classificada como um biótopo do Programa Comunitário CORINE – Sítios de Interesse para a Conservação da Natureza. Por estas razões e também devido ao facto de aí se localizar a estação de campo do Centro de Biologia Ambiental, esta área tem sido nos últimos anos, objecto de uma série de estudos que têm como objectivo a compreensão do funcionamento deste ecossistema, em especial, no que diz respeito à comunidade de carnívoros aí existentes.

 


A geneta, Genetta genetta, é uma das espécies de carnívoros presentes neste tipo de habitat, podendo considerar-se abundante na Serra de Grândola. Trata-se de uma espécie de origem Etiópica e a sua passagem do continente Africano para o Europeu não está ainda totalmente esclarecida. A hipótese mais provável é que tenha sido introduzida pelos árabes durante as invasões sarracenas, visto que estes a domesticavam para controlar as populações de roedores. É uma espécie de pequeno porte, nocturna, solitária, territorial e explora todos os habitats naturais e cultivados de África e do Sudoeste da Europa. Tem, no entanto, preferência por bosques fechados, zonas rochosas ou escarpadas, áreas com cobertura arbustiva densa e zonas próximas de cursos de água. É um predador omnívoro com um espectro alimentar muito variado, mas em geral, os micromamíferos são a sua presa preferencial.

Muitos mamíferos, incluindo diversas espécies de carnívoros usam as fezes como forma de marcação olfactiva. Nalguns casos, são depositadas periodicamente em locais específicos, denominados latrinas. A geneta está incluída nessas espécies e normalmente estabelece as suas latrinas em locais que sobressaem no ambiente que os rodeia. Nesta espécie, e nos mamíferos de um modo geral, as latrinas assumem uma importância particular, visto que funcionam como locais de troca de informação, orientação e familiarização com a sua área vital e como pontos de marcação territorial.

 


Este estudo vem na sequência de uma série de trabalhos que têm sido realizados da Serra de Grândola e teve por objectivo estudar o padrão diário de utilização das latrinas, analisando a influência de factores climatéricos nesse padrão e verificar a relação entre o seu grau de utilização e a estrutura da paisagem envolvente.

Comentários

Newsletter