De que se alimentam as genetas no Parque Natural de Sintra Cascais?

Luís Miguel Rosalino
Imprimir
Texto A A A

Usada como -caçador de ratos- pelos árabes, a geneta apenas pode ser encontrada na Europa, em Portugal, Espanha e Sul de França. Será que no nosso país este carnívoro continua a fazer jus à sua fama?

A geneta (Genetta genetta), ou gato-gineto, é um carnívoro de pequeno/médio porte, de origem africana, cuja distribuição na Europa está restringida ao Sul de França, Península Ibérica e Ilhas Baleares. Em Portugal continental este predador é relativamente comum, podendo ser encontrado de Norte a Sul do país, ocupando paisagens tão diferentes como os montado de sobro do Alentejo, as monoculturas de resinosas do Centro e os campos agrícolas do Oeste.

Dos estudos efectuados, um pouco por todo o lado, sobre a dieta da geneta, conclui-se que este predador aproveita os variados recursos tróficos disponíveis, apesar de se concentrar, preferencialmente, no consumo do rato-do-campo (Apodemus sylvaticus). Estes estudos são baseados, maioritariamente, na análise de dejectos, de modo a identificar os restos não digeridos das suas presas. O comportamento de defecação e a marcação do território pela geneta facilitam esta metodologia. Como carnívoro territorial que é, delimita o seu território através de marcação odorífera, efectuada principalmente nos limites do mesmo ou em zonas onde existam recursos importantes (ex. alimento, refúgio). Este predador tem a particularidade de utilizar, muitas vezes, a deposição dos dejectos como veículo de marcação, tendo como hábito defecar em locais pré-definidos – latrinas – que pode revisitar várias vezes por mês.

A investigação do modo como a geneta sobrevive no Parque Natural de Sintra-Cascais assume particular interesse, atendendo às características singulares desta zona, nomeadamente a grande pressão humana (turística e agricultura de sobrevivência) a que está sujeita.

Comentários

Newsletter