Ecologia e Conservação da Andorinha-do-mar-anã nas Salinas de Castro Marim e Cerro do Bufo

Teresa Catry
Imprimir
Texto A A A

Foram estimados entre 51 e 82 casais reprodutores, tendo-se contabilizado um máximo de 59 posturas em Castro Marim (quatro núcleos reprodutores) e 23 no Cerro do Bufo (um núcleo reprodutor). A produtividade da colónia de Castro Marim foi de 0.33 juvenis/postura e a do Cerro do Bufo foi nula. A destruição de posturas foi a principal causa do elevado insucesso reprodutor verificado nas duas colónias, responsável pela perda de 59,8% das posturas. Os factores de destruição identificados foram, por ordem decrescente de importância, a predação (51.2%; n=42) (maioritariamente por cães assilvestrados, Tartaranhão-caçador (Circus pygargus) e gaivotas (Larus sp.), as actividades humanas (4.9%; n=4) (circulação de veículos e pisoteio) e factores climáticos (3.7%; n=3) (pluviosidade).



Os predadores das posturas de Andorinha-do-mar-anã identificados coincidem com os referidos na maioria dos estudos desta espécie (Lloyd et al. 1991, Haddon and Knight 1983, Holloway 1993), salientando-se os cães assilvestrados, já identificados no mesmo local, em trabalhos anteriores (Dias 1999), e o Tartaranhão-caçador, considerado um predador pouco comum (Haddon and Knight 1983), mas habitual na área de estudo.

A reduzida probabilidade de predação em colónias de grandes dimensões, tanto por efeito de diluição, como por defesa contra os predadores, é uma das principais hipóteses que explica a nidificação colonial de muitas espécies de aves (e.g. Wittenberger and Hunt 1985, Krebs and Davies 1991, Nisbet and Welton 1984, Brunton 1997). Porém, a colonialidade apresenta a desvantagem de tornar os ninhos com ovos e/ou crias mais conspícuos para os predadores (Krebs and Davies 1991). As colónias estudadas são de pequenas dimensões, o que não permite uma defesa muito eficaz contra predadores (obs.pess.) sendo, no entanto, suficientemente conspícuas para que estes as detectem com relativa facilidade. A associação da Andorinha-do-mar-anã com outras espécies que nidificam no mesmo habitat, como o Perna-longa (Himantopus himantopus) e o Alfaiate (Recurvirostra avosetta), parece ser-lhe benéfica, já que qualquer uma das outras espécies é bastante mais eficaz na defesa dos ninhos.

A predação de posturas foi relativamente constante ao longo da época reprodutora, não parecendo constituir um factor que implique que as aves nidifiquem num período determinado. No entanto, poderá favorecer uma maior sincronia de nidificação. Vários estudos demonstraram que uma maior sincronia na nidificação de aves marinhas coloniais permite um maior sucesso reprodutor na colónia (e.g. Nisbet 1975, Birkhead 1977). De facto, verifica-se que em Castro Marim, a grande maioria das posturas que eclodiram correspondiam a posturas existentes na segunda quinzena de Maio, o período com maior número de posturas simultâneas. A sincronia na nidificação é especialmente importante em colónias de pequenas/médias dimensões, nas quais as taxas de predação são elevadas: quanto maior for o número de casais a criar, num curto período de tempo, maior será a probabilidade de uma postura eclodir, assumindo que a predação se mantém constante.

Comentários

Newsletter