Alterações na Paisagem de uma Região do Minho no Período 1958-1995: Implicações para a Ocorrência de Fogos Florestais

Francisco Moreira, Centro de Ecologia Aplicada Prof. Baeta Neves-ISA
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Os valores obtidos para os modelos de susceptibilidade da paisagem ao fogo mostraram um aumento progressivo, que variou entre 20 e 40%, conforme o modelo (Figura 1).

Figura 1 – Variação do índice de susceptibilidade ao fogo estimada a partir de 5 modelos de acumulação de combustíveis na paisagem. A linha mais grossa indica o valor estimado com base nos índices de selecção (ver texto).


Os índices de selecção pelo fogo para as várias categorias de uso do solo podem ser vistas na Figura 2. Os matos (altos e baixos) registaram valores superiores a 1, o que significa que eram utilizados pelo fogo mais frequentemente que o esperado, caso o fogo ocorresse de igual forma em todas as categorias. Os pinhais também se encontravam ligeiramente acima do valor unitário. Em contraste, zonas agrícolas e florestas de folhosas e mistas eram “evitadas” pelo fogo (valor inferior a 1). Utilizando os valores destes índices de selecção obtém-se igualmente um índice crescente de susceptibilidade da paisagem ao fogo, apesar de o incremento não ser tão marcado (Figura 1).


Figura 2 - Valores médios e variabilidade dos índices de selecção (w) para cada uso do solo, estimados com base em 13 fogos florestais no Minho.


Conclusões

As previsões inicialmente feitas sobre as tendências esperadas para a evolução da paisagem foram confirmadas, mostrando que as acções humanas são o principal motor de alteração das paisagens desta região. Estas alterações levaram a um aumento de 20 a 40% na susceptibilidade da paisagem aos incêndios. Zonas de matos são particularmente susceptíveis ao fogo. Em termos de gestão florestal, este trabalho mostra o impacto que pode ter a utilização de povoamentos mistos e de folhosas na prevenção de fogos florestais. De facto, relativamente aos pinhais, a floresta mista e de folhosas é muito menos susceptível ao fogo. Ao utilizar folhosas, como carvalhos ou castanheiros, é diminuída para metade a probabilidade de ocorrência de fogos florestais.


Agradecimentos

À Direcção-Geral das Florestas (Eng. Rui Natário e Eng.ª Manuela Soares Batista) pela cedência de dados relativos à ocorrência de fogos florestais. Este trabalho foi elaborado no âmbito do projecto comunitário “LUCIFER – Land use changes interactions with fire in Mediterranean landscapes”. O presente documento resulta de um resumo do artigo: Moreira, F., Rego, F., Ferreira, P. (2001) Temporal (1958-1995) pattern of change in a cultural landscape of northwestern Portugal: implications for fire occurrence. Landscape Ecology, 16: 557-567.

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