A actividade dos Florestais

José Guilherme Borges
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A GESTÃO FLORESTAL E A SUSTENTABILIDADE DOS RECURSOS NATURAIS

As florestas foram sempre uma fonte de bens e serviços diversos para as sociedades humanas. No entanto, o momento histórico em que se afirmou o recurso ao método científico na gestão florestal coincidiu com a época (séc. XIX) em que predominaram preocupações com a sustentabilidade de um produto florestal específico - a madeira. Em consequência, a actividade dos Florestais privilegiou no passado o objectivo de conseguir a estabilidade da oferta de lenho (Borges 1999). Neste contexto, os Florestais foram pioneiros na adopção de perspectivas de sustentabilidade da utilização dos recursos naturais no longo prazo.

Entretanto, o desenvolvimento socioeconomico e as tendências de evolução demográfica determinaram preocupações com a sustentabilidade de outros recursos naturais (e.g. bravio, biodiversidade) e deram origem a novas percepções do recurso florestal. Para além disso, a actividade dos Florestais decorre hoje num contexto em que considerações éticas e políticas configuram um processo de decisão que se pretende participado. Este reflecte a diversidade de interesses económicos em recursos naturais e de percepções culturais da própria sustentabilidade do ecossistema florestal (Borges 1999).

Este quadro evidencia que a regularidade do fluxo temporal de um produto florestal específico não é hoje sinónimo de sustentabilidade dos recursos naturais, isto é, não é um indicador adequado para avaliar o impacte da actividade dos Florestais sobre o bem estar e a sobrevivência das gerações actual e futuras. Ele sugere a integração das interpretações ecológica e socioeconómica do conceito de sustentabilidade, ao longo de uma hierarquia de escalas espaciais de intervenção. A sustentabilidade em gestão de um pequeno bosque envolve considerações distintas das que se aplicam em gestão sustentável de uma mata de grande dimensão. Estas, por sua vez, serão distintas daquelas que são pertinentes em gestão florestal sustentável de uma paisagem ou de uma região. Esta diferença decorre, por exemplo, da maior ou menor facilidade de substituição do capital natural (Borges 1999). Em consequência, o contributo decisivo da actividade dos Florestais para a conservação dos recursos naturais pode ser hoje avaliado com recurso a indicadores, modelos e aplicações tecnológicas seleccionados em função da escala espacial da intervenção.



INVESTIGAÇÃO, APLICAÇÃO TECNOLÓGICA E SUSTENTABILIDADE DOS RECURSOS NATURAIS

A investigação desenvolvida pelo Grupo de Economia e Gestão dos Recursos Florestais (GEGREF) do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa tem como objectivo principal o desenho de modelos e a programação de aplicações tecnológicas em gestão sustentável de ecossistemas florestais. Estes instrumentos realizam e aplicam uma síntese do conhecimento interdisciplinar em recursos naturais (e.g. silvicultura, ecofisiologia, hidrologia, biometria, ordenamento cinegético, ordenamento para recreio) ao processar de forma eficiente e eficaz todos os dados e informação disponíveis para apoiar a actividade dos Florestais e para facilitar a comunicação entre grupos e cidadãos com interesse em recursos florestais.

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