Acções de conservação para a população de Andorinha-do-mar-anã da Lagoa de Santo André

Inês Catry, Teresa Catry e Manuel Allen Revez
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Implementaram-se assim, em 1999, as seguintes medidas:

1. Isolamento das duas ilhas do corpo central da lagoa durante a época de reprodução, com recurso a bóias de marcação colocadas a cerca de 30 metros em volta do perímetro de cada ilha;

2. Desbaste localizado da vegetação da Ilha Norte: criação de 10 zonas circulares com cerca de 1 metro de diâmetro, livres de vegetação, cobertas de areia e com 20-30% da área coberta com conchas de bivalves, uma vez que estas poderão diminuir o risco de predação aérea;

3. Colocação de placares nas margens da lagoa (nomeadamente no local onde se alugam pequenas embarcações de recreio e junto ao parque de campismo) informando o público da existência de um programa de conservação para a Andorinha-do-mar-anã e da necessidade de respeitar as medidas de conservação implementadas.


Avaliação do sucesso das medidas de conservação implementadas

Nidificaram na Lagoa de Santo André, em 1999, entre 34 e 46 casais de Andorinha-do-mar-anã, tendo-se registado uma taxa de eclosão de 41% e uma produtividade mínima de 0.4 juvenis/postura.

As medidas de conservação implementadas permitiram:

1. Aumentar a capacidade de acolhimento da lagoa. Na Ilha Norte foram detectadas 13 posturas (contra as 5 do ano anterior), 6 das quais localizadas nas áreas criadas artificialmente.

2. Diminuir substancialmente a perturbação humana, principalmente nas duas ilhas. Em 1998 verificou-se que o desembarque de pessoas na Ilha Norte foi responsável pelo total insucesso das aves que aí nidificaram. Em 1999 nunca foram observadas pessoas nas ilhas, assistindo-se a um respeito total pelo projecto e pelas regras impostas.

3. Informar e sensibilizar a população local e visitantes para a importância da Lagoa de Santo André na conservação dos efectivos nacionais de Andorinha-do-mar-anã.


O aumento do número de casais de Andorinha-do-mar-anã na lagoa entre 1998 e 1999, assim como a diferença registada no sucesso reprodutor nas duas épocas, não podem ser exclusivamente atribuídos às acções de conservação levadas a cabo na área. No entanto, é evidente que estas mesmas acções foram extremamente importantes para que tal acontecesse. Estes resultados tornam encorajadora a continuação deste tipo de acções na Lagoa de Santo André e a sua expansão a outras colónias noutros pontos do país.

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