O Lince-ibérico no Vale do Sado

Miguel Monteiro
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A avaliação dos factores que afectam o uso do meio de uma espécie tão ameaçada como o Lince-ibérico é de uma excepcional importância para a sua conservação. Conheça o que determina a distribuição dos linces que ainda existem no Vale do Sado.

Em 1998 concluiu-se um estudo sobre a selecção de habitat e distribuição do Lince-ibérico Lynx pardinus no Vale do Sado. O trabalho foi realizado com a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza, no âmbito do Programa Liberne. Utilizou-se uma metodologia já testada nas serras algarvias, permitindo assim comparar resultados de regiões distintas, e obter resultados fiáveis e pertinentes, que permitem estabelecer estratégias e tomar medidas de gestão e conservação.

Os dados disponíveis em Portugal para abordar estas questões sobre o lince provêm de avistamentos, visto a espécie existir a muito baixas densidades, o que contribui para o fracasso das campanhas de armadilhagem.

Verificámos que as variáveis do meio que determinam a presença do lince no Vale do Sado também o fazem noutros locais. A espécie encontra-se associada a zonas de bosque e matagal onde o coelho é abundante. Estas zonas são raras e correspondem a áreas de relevo acentuado onde se encaixam ribeiras, estando geralmente rodeadas de habitats sem interesse para o lince (por exemplo, grandes extensões de terrenos cultivados ou plantações de eucaliptos e pinheiros). Estão geralmente próximas de centros urbanos (Torrão, Alcáçovas, Sº Cristovão, Odivelas), também eles localizados junto a rios e ribeiras e em locais de maior altitude.

O estudo dos locais de avistamento do lince e das respectivas variáveis ambientais, permitiu construir um modelo logístico e mapear a probabilidade de avistamento de lince no Vale do Sado.

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