A família das orquídeas

Sara Otero
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SAPRÓFITAS: são raríssimas, dependem da matéria orgânica em decomposição e são desprovidas de clorofila; desenvolvem-se com a ajuda de um fungo, crescendo no húmus das florestas e chegando a florir debaixo do solo. Apresentam flores pequenas e pálidas.

Existem diversos factores que influenciam o seu crescimento e desenvolvimento: 
 
ÁGUA

As chuvas prolongadas e regas excessivas são a principal causa do apodrecimento das raízes, porque estas recebendo água em excesso e sem o necessário arejamento, acabam por entrar em decomposição devido à expansão de fungos e bactérias. Assim, é preciso abrigar as plantas do excesso de chuva, com uma cobertura de plástico ou vidro, pelo menos a três metros de altura, permitindo a indispensável ventilação, ou transportá-las para um lugar abrigado nos dias de chuva. O substrato dos vasos deve estar sempre ligeiramente húmido, mas nunca encharcado. Uma rega abundante pela manhã, é o suficiente para manter o substrato húmido por vários dias, dependendo da localidade e da humidade ambiente. É possível que uma ou outra planta, precise de nova rega no dia seguinte, mas de modo geral, deve-se molhá-las somente quando o substrato estiver seco.

Realce-se que cada género e, às vezes, cada espécie, tem exigências particulares. De uma maneira geral, rega-se abundantemente até a água escoar pelos furos do vaso e aguarda-se que o substrato seque. Embora esta regra não seja válida para todas, a possibilidade de errar é menor, pois é mais fácil matá-las pelo excesso de água do que pela seca. Observa-se que diversos factores fazem com que o substrato seque mais depressa ou mais lentamente, tais como, o tipo, o material e o tamanho do vaso, a intensidade da luz, a temperatura, a circulação do ar e a humidade ambiente.

Não se devem manter os vasos directamente sobre pratos pois a água acumulada impede a oxigenação das raízes e é imprescindível que uma boa ventilação chegue até as raízes. Pode-se colocar pedras no prato, com um pouco de água, desde que não atinja a base do vaso. Em dias muito quentes, é aconselhável borrifar água em volta da planta, com cuidado para não molhar a junção das folhas. Para facilitar a drenagem da água, deve-se preencher cerca de 1/3 do vaso com cacos de telha limpos.

Os vasos mais indicados são os de barro cozido, pois têm a capacidade de absorver e transpirar a humidade excessiva, reduzindo o perigo de encharcamento. Há também vasos com formatos especiais, com diâmetro maior que a altura, com três furos de drenagem e com orifícios para serem pendurados. Muitos orquidófilos preferem cultivar orquídeas em "gaiolas", armadas com sarrafinhos de madeira atados por um arame de cobre. Esse recipiente elimina a necessidade de materiais de drenagem, além de ser indispensável para algumas espécies que dão flores por baixo do raízame.

As plantas recém divididas também precisam de um regime de rega um pouco diferente, visto que as suas raízes não têm o mesmo poder de absorção, devendo-se somente borrifar o substrato durante 3 semanas e só quando começarem a surgir as raízes, voltar a regar normalmente. 
 
LUMINOSIDADE

Em geral, as orquídeas não devem receber luz solar directa, com excepção dos primeiros raios matinais. Por este motivo é necessário abrigá-las à sombra de um ripado ou sob a folhagem das árvores, em condições semelhantes àquelas em que vivem na natureza. Além disso, agradecem um complemento de luz artificial no Inverno, quando os dias são muito curtos.

É fácil verificar se a quantidade de luz é suficiente, bastando observar a cor das folhas: se estas conservarem uma cor verde-alface, significa que o equilíbrio de luz está perfeito, se o verde se tornar mais escuro, tendendo para o verde garrafa, há insuficiência de luz. Se a cor das folhas atingir um verde amarelado, há sinais evidentes de excesso de luz e isso poderá causar uma grave desidratação da planta e consequente atrofiamento. Neste caso, é aconselhável proteger as plantas com tela de nylon, ou outro material. Numa estufa, a pintura dos vidros com água de cal, é muito útil, especialmente no Verão.

O ripado oferece um bom controlo da luminosidade. Os ripados devem ser construídos em local que recebam sol pleno e as ripas devem ser dispostas no sentido norte-sul, de modo a que a iluminação solar se desloque no sentido leste-oeste, iluminando directamente as folhas de cada exemplar durante poucos minutos. A velocidade do deslocamento da luz e da sombra depende também da altura do ripado: os mais altos fazem a luz passar mais rápido. Na face sul é preciso construir um muro para interceptar os ventos mais fortes. No interior do ripado, constrói-se um estrado, de madeira ou alvenaria, com 1 metro de largura e passagem dos 2 lados. Sob o estrado, podem cultivar-se avencas, begônias e outras plantas, o que ajuda a aumentar a humidade do ar. Sobre o estrado, convém dispor as orquídeas terrestres que requerem menos luz, no tecto penduram-se as orquídeas que exigem mais luz, mas não em grande número, de modo a evitar que façam muita sombra às outras plantas.

TEMPERATURA

As orquídeas de clima quente são aquelas que toleram temperaturas mais elevadas, em torno de 35ºC, no Verão, e até picos mais elevados, não se adaptando a temperaturas abaixo de 15ºC. As de clima temperado, são plantas mais adequadas a temperaturas entre 15º e 28ºC. Para as de clima frio, a temperatura máxima deverá rondar os 20ºC, raramente se elevando a 25ºC, e a mínima os 0ºC.

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