Por terras de Pitões à descoberta da Serra do Gerês

Manuel Nunes (texto) e Jorge Nunes (fotografia)
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Deixamos a aldeia entregue à melancolia da manhã e, ladeados por muros de pedra, encetamos a “grande jornada”. Uma calçada gasta e inundada por um ribeiro atrevido orienta-nos para o vale do Beredo. À nossa frente, a toda a largueza do horizonte, avistam-se as cumeadas agrestes e nuas da serra do Gerês, que a norte marcam a linha de fronteira com Espanha. Mais abaixo, o vale do Beredo com a sua frondosa mata, submete-se à serrania vigilante que se impertiga em tons cinzentos e agrestes contrastando com o verde nativo do imenso carvalhal. E no coração deste retrato quase idílico, um ponto branco sobressai, encrostado numa fraga no sentido do sol-poente: a capelinha de São João, objecto, ainda hoje, de uma extraordinária romaria anual.

  

Com os olhos postos na capelinha - paragem obrigatória para estes peregrinos das alturas - caminhamos pelas primeiras ladeiras de terreno de cultivo. As estreitas parcelas de terra, cobertas de erva fresca, são a nossa primeira companhia até alcançarmos a penumbra dos carvalhais da meia encosta. Num muro, dos tantos que retalham a encosta, um chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) macho, talvez com o ninho por perto, desafia a nossa perícia fotográfica, saltitando habilmente de pedra em pedra lançando assobios estridentes e intimidativos. Enquanto isso, o carreiro para o vale, largo e lajeado, rasga a encosta em ziguezagues sucessivos, serpenteando entre os lameiros e atenuando o desnível que cresce a cada passo.

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